terça-feira, 19 de abril de 2016

Heróis esquecidos da Marvel Parte 2






Continuamos aqui a visita aos anos 50 da Atlas Comics, o nome que a Marvel usava nessa altura, e em que uma série de novos heróis passou pelas bancas norte-americanas, sem deixar grande marca nas vendas da época, mas contribuindo para engrandecer a história da editora.

Estes heróis passaram por uma série de temáticas, e não necessariamente pelos super-heróis. Continuamos a listagem dos heróis aventureiros que a Marvel publicou nesta fase, alguns deles acabando por ficar conhecidos pelo público português, mesmo não sabendo que faziam parte do Universo Marvel. Tal como explicámos na primeira parte, não vamos listar os heróis dos westerns e das revistas de guerra, que foram em número bem maior.

Heróis do espaço

Marvel Boy é Bob Grayson, filho do cientista Matthew Grayson, que fugiu com o pai para o planeta Urano no início da Segunda Guerra Mundial. Durante a infância, Bob Grayson foi treinado pelos cientistas uranianos para utilizar um par de pulseiras energéticas, podendo assim retornar à Terra como um adolescente, para enfrentar ameaças comunistas ou terroristas que usavam ciência avançada, muitas vezes fornecida por invasores alienígenas. Era geralmente ajudado (ou atrapalhado) por Lilli, uma uraniana. Marvel Boy foi depois recuperado nos anos 70 como um vilão numa história do Quarteto Fantástico, numa história da revista What If? (como membro de uma equipa de Vingadores activa em 1958), reciclado no herói Quasar (membro da SHIELD e dos Vingadores, usando as pulseiras quânticas, agora relacionadas com a entidade cósmica Eon) e novamente reintroduzido no Universo Marvel, décadas mais tarde, como parte da série Agents of Atlas.

A revista Space Squadron era uma espécie de antologia, onde todos os personagens estavam ligados. O herói principal era o capitão Jet Dixon, acompanhado pelos seus assistentes, o cadete Rusty Blake e o guerreiro marciano Max, e pela sua namorada Dawn Revere, filha do comandante do esquadrão, Blast Revere. As histórias passavam-se no então longínquo ano 2000, onde viagens extra-planetárias eram comuns e o sistema solar pululava com espécies alienígenas. As histórias secundárias tinham como heróis um jovem Blast Revere em início de carreira e a tira “Famous Explorers of Space”, que explorava o passado recente do mundo de Space Squadron.

Speed Carter era o herói da revista Spaceman, onde Carter liderava um esquadrão de Sentinelas do Espaço, no ano 2075. Tal como o seu congénere Jet Dixon, habita um futuro onde a humanidade se espalhou pelas estrelas e onde é necessário enfrentar muitas ameaças alienígenas, dentro e fora do Sistema Solar. Speed Carter lidera uma unidade que inclui o seu assistente, Crash Morgan, a sua namorada, Stellar Stone (filha do comandante dos Sentinelas) e o cadete Johnny Day, um adolescente. Tal como em Space Squadron, a revista Spaceman incluía a rubrica “Famous Explorers of Space”, mas desta vez relacionada com Carter em vez de Jet Dixon. Aliás, o mundo de Spaceman não era o futuro de Space Squadron.

Histórias publicadas em: Marvel Boy #1-2 e Astonishing #3-6; Space Squadron #1-5 e Space Worlds #6; Spaceman #1-6.

Heróis da selva

Existiram duas revistas separadas passadas na selva com mulheres como personagens principais. A mais bem-sucedida foi Lorna, Rainha da Selva, um clone óbvio de Sheena, mais à vontade no mato africano que em qualquer lugar civilizado. As histórias eram típicas, envolvendo animais selvagens, caçadores furtivos e, estranhamente, uma atitude mais progressiva com os africanos nativos do que era normal para a época. De Julho de 1954 a Agosto de 1957, teve uma publicação longa. O caçador Greg Knight (romanticamente interessado em Lorna), o chefe tribal M’tuba e o chimpanzé Mikki constituíam o elenco, com Knight a ter direito a histórias próprias dentro da revista.

Jann da Selva (em português, Jana da Selva, como chegou a aparecer na revista Mundo de Aventuras) não era muito diferente de Lorna, embora as suas habilidades acrobáticas tenham sido aprendidas no circo, onde era uma trapezista com o nome Jane Hastings. Jann encabeçava uma antologia com personagens não relacionadas, incluindo o príncipe Waku (o primeiro personagem negro a ter histórias próprias numa editora americana convencional) e o caçador Cliff Mason, que, ao contrário da relação de Greg Knight com Lorna, nunca conheceu Jann. O seu principal aliado era o chefe tribal Kuba.

Existiu também a antologia Jungle Action, com vários personagens recorrentes, Lo-Zar, muito parecido com Ka-Zar (tanto que, quando as histórias foram republicadas nos anos 70, foi renomeado Tharn), que protegia a selva africana de invasores comunistas; Jungle Boy, um adolescente filho de um caçador, inspirado no filho de Tarzan, Korak, e que também tinha um ódio visceral a comunistas (enfim, eram os anos 50); Leopard Girl, uma heroína que usava uma pele de leopardo que lhe cobria todo o corpo; e Man-oo the Mighty, um gorila inteligente. Embora nunca se tivessem encontrado, muitos destes tinham um fio condutor recorrente nas suas respectivas histórias, a cobra gigante Serpo.

Material de leitura: Lorna the Jungle Queen #1-5 e Lorna the Jungle Girl #6-26; Jungle Tales #1-7 e Jann of the Jungle #8-17; Jungle Action #1-6.

Leia também a Parte 1.

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terça-feira, 12 de abril de 2016

Heróis esquecidos da Marvel Parte 1




A Marvel atravessou um período ligeiramente criativo na época do pré-guerra, gerando meia dúzia de super-heróis de primeira linha e uma quantidade considerável de imitadores pouco originais. Mas a Segunda Guerra Mundial e o pós-guerra levaram a editora a apostar noutros conceitos, desde os humorísticos (Powerhouse Pepper, Super Rabbit, Patsy Walker, Tessie the Typist), aos western (Kid Colt, Black Rider, Ringo Kid) e as revistas de romance, guerra, ficção policial e ficção fantástica, quase sempre sem personagens permanentes.

Com o final da Segunda Guerra e as mudanças nos gostos dos leitores, os super-heróis e os heróis de aventura não foram prioritários até à estreia do Quarteto Fantástico em 1961, mas isso não quer dizer que eles não tenham existido. Durante os anos 50, em que usava o globo da Atlas como marca unificadora de uma linha, a Marvel chegava a editar cinco a oito revistas praticamente idênticas de uma temática específica, mensais ou bimestrais, e havia espaço para toda a gente. Alguns dos heróis eram conhecidos de antes, outros tornaram-se mais conhecidos quando foram resgatados por escritores modernos, enquanto muitos ficaram esquecidos. Esta é a listagem de todos os heróis e aventureiros que a Marvel publicou nos anos 50. Não vamos listar os heróis dos westerns e das revistas de guerra, que foram em número bem maior. Esta série vai ter mais duas partes.

Super-heróis

O breve regresso dos super-heróis é talvez o período mais estudado da época. Entre Dezembro de 1953 e Setembro de 1954, a Marvel tentou reviver os seus três principais super-heróis da década de 40, Capitão América, Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino, com três revistas individuais, mas integrando também duas antologias. O Capitão América, novamente acompanhado por Bucky (nenhum deles envelhecendo nos anos em que estiveram parados), enfrentava essencialmente vilões e espiões de inspiração comunista, incluindo um novo personagem com o nome Electro (nada a ver com o inimigo do Homem-Aranha, ou com o robot dos anos 40 que foi reaproveitado em The Twelve) e uma nova encarnação do Caveira Vermelha. Quando o Capitão dos anos 50 foi recuperado nos anos 70 como um racista alucinado, o Caveira dos anos 50 foi revelado como um espião soviético chamado Albert Malik, para explicar porque um agente nazi iria trabalhar para um estado comunista. Quanto ao Bucky, foi revelado como sendo Jack Monroe, assumindo a identidade do Nómada nos anos 80 e 90.

O Tocha Humana foi o que teve mais visibilidade durante este período, aparecendo em destaque nas capas e sendo usado ainda nas histórias secundárias das revistas do Capitão e do Namor, novamente acompanhado pelo seu parceiro Centelha, que também não envelheceu (o Tocha tinha a desculpa de ser um andróide). O Tocha enfrentou não só espiões comunistas mas também membros do crime organizado, graças à sua filiação na Polícia de Nova York, onde tinha a identidade civil do guarda Jim Hammond (que não foi usada neste regresso). Muitos destes criminosos tinham deformidades físicas, como nas histórias de Dick Tracy, e o chefe de polícia Wilson continuou a aparecer como personagem de apoio. Depois do seu nome ser reaproveitado por Johnny Storm, o Tocha original foi ressuscitado por John Byrne nos anos 80, que o utilizou como membro dos Vingadores, na equipa baseada em Los Angeles.

Namor, o Príncipe Submarino, durou mais um ano que os seus congéneres, graças a um possível acordo que estava a ser negociado para a produção de uma série de televisão, que nunca se materializou. Foi preciso esperar até aos anos 70 para passar para a TV, na série O Homem da Atlântida, com o herói Patrick Duffy, mas com todos os nomes mudados. A sua prima Namora, a sua namorada ocasional Betty Dean, a sua mãe Fen e o seu avô, o rei Thakorr da Atlântida, eram personagens recorrentes, e embora Namor também estivesse envolvido em lutas contra comunistas, os cenários envolviam mais a marinha soviética do que espiões. Pelo caminho, o príncipe atlante teve ainda que lidar com alguns cientistas loucos.

Histórias publicadas em: Young Men #24-28; Men’s Adventures #27-28; Captain America #76-78; The Human Torch #36-38; Sub-Mariner Comics #33-42.

Heróis do passado

O Cavaleiro Negro era uma espécie de super-herói medieval, fingindo ser um nobre inútil com veia artística, Sir Percy de Scandia, cujo elmo lhe tapava completamente a cara e disfarçava a voz. Percy, apaixonado por Lady Rosamund (que, na boa tradição da BD americana, não lhe ligava nenhuma mas desejava ardentemente o misterioso Cavaleiro Negro), lutava contra invasões vikings e nobres ambiciosos, nomeadamente Modred, sobrinho do rei Artur, com a ajuda do mago Merlin. A história era claramente inspirada na do Príncipe Valente e o prolífico artista Joe Maneely conseguia até imitar o estilo de arte de Hal Foster. O Cavaleiro Negro foi reciclado constantemente nos anos 60, sendo ele próprio incorporado no passado do Universo Normal. Através da sua Espada Ébano, criada a partir de um meteorito encantado por Merlin, Percy deu origem a uma maldição que afectou o seu descendente, o americano Dane Whitman, que foi membro dos Vingadores e da equipa britânica M.I. 13.

Na mesma revista eram publicadas as histórias do Cruzado, um cavaleiro da corte do rei de Inglaterra, Ricardo Coração-de-Leão, que liderou a Terceira Cruzada no Médio Oriente. Apesar de pertencer à corte inglesa, era chamado um 'franco' pelos outros personagens (a Inglaterra foi conquistado pelos saxões e não pelos francos, mas na época era governada pelos normandos) e conhecido na guerra pelo seu nome árabe, El Alamein, sendo um inimigo dos exércitos 'sarracenos' de Saladino, de hordas mongóis e até de cavaleiros traidores. Nunca mais voltou a aparecer, embora uma ou outra história tenha sido reimpressa nos anos 70 na antologia Savage Tales, a preto e branco. O seu lugar na cronologia foi ocupado por outro Cavaleiro Negro.

Histórias publicadas em: Black Knight #1-5.
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segunda-feira, 28 de março de 2016

Super-heróis à francesa III: Dos mundos submarinos ao espaço sideral





A revista Mon Journal foi a primeira experiência editorial de Bernadette Ratier, a partir de 1946, onde se destaca o herói do futuro, Atomas, uma criação do artista Pellos, pseudónimo de René Pellarin, com ajuda do escritor Robert Charroux. Foram publicadas histórias do nº 70 ao 86, quando a revista foi cancelada. A editora francesa, natural de Lyon (onde estavam a maior parte das editoras de petit formats), voltou à carga 10 dias depois com um novo projeto, chamando à sua empresa Aventures et Voyages, mas apesar do nome, foram as revistas de banda desenhada de ficção que mais atenção tiveram.

A editora foi mais conhecida por ter editado a versão francesa da revista italiana Akim (cuja personagem principal era uma cópia de Tarzan), publicando 756 números entre 1958 e 1960, mas começou logo por publicar personagens próprias. O pirata Diavolo, de J.K. Melwyn-Nash (Marcel Navarro) e Guy Lebron, teve direito a 14 números em revista própria, antes de continuar noutras antologias, mas o primeiro grande sucesso foi Marco Polo. As aventuras altamente fantasiosas do explorador e mercador veneziano (que viveu de 1254 a 1324) começaram na revista Dakota mas logo passaram para título próprio, durando 213 edições, com histórias feitas por Jean Ollivier (parceiro de E.T. Coelho em Ragnar Le Viking) e Enzo Chiomenti.

Os heróis com super-poderes começam a regressar nos anos 60, sendo que o primeiro é Rok, L'Homme Invisible, criado pelo artista italiano Sandro Angiolini, e que surgiu na revista Brik n.º 54, em 1962. Rok Pascal, um cientista, herda uma fórmula do seu avô que lhe permite criar pílulas que o tornam invisível. Rok usa estas pílulas para combater uma organização criminosa com a ajuda da sua secretária, Brigitte Dubois, e do inspector Commun. Depois de uma ligeira interrupção de um ano, Rok voltou pela pena de Guido Zamperoni no nº 126, ganhando um assistente juvenil, Plito. As aventuras de Rok continuaram a ser publicados na revista Brik até ao nº 157, em 1972.

A revista Yataca começou com as aventuras de um grupo de crianças na selva amazónica, capazes de falar com animais, mas depois o nome foi aplicado às histórias de um clone de Tarzan britânico, “Saber, King of the Jungle”, de Denis McLoughlin. Mas o mais importante é que foi nesta revista, em 1973, que surgiu o herói aquático Antarès. Criado pelo espanhol Juan Escandell, Antarès foi publicado a partir do nº 57, até ao 118. A partir daí, passou para revista própria, que durou 129 números entre 1979 e 1989, mas raramente era tema de capa. Antarès era um alienígena que se tinha despenhado na Terra, ganhando superforça e a capacidade de viver no oceano, controlando formas de vida animais como peixes e golfinhos (tal como Aquaman). As histórias tinham preocupações ecológicas.

Também foi nesta revista que foi republicado Galax (um herói especial de Roger Lecureux e Roland Garel, originalmente lançado em Marco Polo), mas a maior parte das histórias de heróis espaciais eram importadas, como o espanhol Fantasia SA (de Andreu Martín e Edmond Ripoll), os italianos Phann (de Frollo Leone) e L'Immortel (de Paolo Ongaro, artista regular de capas para muitas revistas da Aventures et Voyages), “O Eternauta”, do argentino Hector Oesterheld, e muitas séries britânicas das editoras DC Thomson & Co ou da IPC, nomeadamente “Spacehawk”, “Kelly's Eye” (renomeado L'Öeil de Zoltec), Harlem Heroes, Starblazer e “The Leopard of Lime Street”. Muitos destes eram escritos por Tom Tully, com Harlem Heroes desenhado pelo futuro artista de Watchmen, Dave Gibbons.

Quase todas as histórias de Tom Tully publicadas em França eram traduzidas dos originais da editora DC Thompson, mas Houve um superherói que o escritor britânico criou especificamente para a Aventures et Voyages, em título próprio, Sunny Sun. A revista durou 54 números, de 1977 a 1986, mas as histórias do personagem titular só duraram até ao nº 28, com arte de Zamperoni. Sunny Sun era um alienígena do planeta Tzak, que se podia transformar em água, ar ou fogo, e que usava esta habilidade para combater o crime e desastres naturais. “The Leopard of Lime Street” também passou por esta revista, assim como a tira Reptil, com um arquivilão que desejava dominar a Terra, transformando-se num réptil humanóide, ou a série italiana Brigade OVNI, dos irmãos Ennio e Vladimiro Missaglia.

Houve outro herói estangeiro que foi uma parte importante da linha de publicações da Aventures et Voyages, Janus Stark, criado por Tom Tully e Francisco Solano López, que foi publicado em 125 dos 135 números da revista, entre 1973 e 1990. Janus Stark era um escapista, como Harry Houdini, mas com uma elasticidade quase sobre-humano, ativo no Séc. XIX. A sua habilidade física e o seu domínio da arte do ilusionismo permitem-lhe combater o crime de forma independente, ainda que tenha algum apoio do inspetor Bryant da Scotland Yard. A revista também contava histórias de Adam Eterno, outra criação de Tom Tully na DC Thomson.

Janus Stark foi a última revista com algum sucesso da Aventures et Voyages, mas a editora já tinha sido vendida à Harlequin de Christian Chalmin em 1985. Mesmo assim, este não conseguiu manter o sucesso original da casa de Bernadette Ratier e vendeu a editora a um investidor de risco, que só durou mais um ano.

Fechamos o ciclo dos super-heróis franceses com o herói Atome Kid. Uma criação da editora Artima, foi lançada em 1956 pela divisão Arédit. Esta editora, que também publicou o herói Fulguros (do qual falámos na primeira parte) centrou-se mais na ficção científica durante os anos 50, mas Atome Kid tem mais características de super-herói, contando com um uniforme colante e máscara. Mesmo assim, Atome Kid, um cientista chamado Stuart, usava o seu equipamento, incluindo um jetpack e uma pistola paralisante, para combater o crime. Contava com a ajuda da sua esposa, Pamela, e do comissário Malone. Apesar de ter sido criado para a editora francesa, os seus autores (não creditados) eram o espanhol Marino Hispano (com o pseudónimo M. Bañolas) e Bayo (Braulio Rodríguez). Foram publicadas 35 histórias até 1959, republicadas em Espanha pela agência Toray (que representava os autores espanhóis junto da Artima). As histórias foram republicadas pela Arédit, então sob nova gerência, em 1970, mas nessa fase a maior parte das histórias de super-heróis da editora francesa eram da DC e da Marvel (muitas vezes na mesma revista). A Arédit também editou um herói espacial, mas mais ao estilo de Flash Gordon, chamado Ray Comet, na revista Cosmos, de 1956 a 1961, da autoria de outro espanhol, Fernando Fernández. A Arédit continuou a publicar até 1987.












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sexta-feira, 11 de março de 2016

Lançamento Levoir: Colecção Super-Heróis DC Comics Vol.6
Aquaman: O Abismo



Saiu ontem mais um volume da colecção que a Levoir está a publicar com o jornal Público. Desta vez foi Aquaman, e em bom tempo visto que muito pouco (ou nada) se tem publicado deste herói em Portugal.
Agora um pouco da história que antecedeu esta publicação dos Novos 52.

Aquaman voltou como Black Lantern durante o mega evento Blackest Night, e claro… pela mão de Geoff Johns.
Geoff Johns começa a ser reputado pela recuperação de personagens que estavam no limbo do esquecimento. Foi o Green Lantern Hal Jordan e o Flash Barry Allen, ambos com sucesso actual, aliás, o título Green Lantern foi um dos “ganha-pão” da DC comics nos anos que antecederam a linha Novos 52!

Na minha opinião o sucesso das suas recuperações é devido a um profundo respeito pela história e mitologia passada destas personagens, dando-lhe um cunho actual. E é disso que elas vivem. Têm um passado não desvirtuado com uma excelente transição para os dias de hoje. Existem muitos que não gostam do seu estilo de narrativa ou dos seus argumentos, mas isto ninguém lhe pode tirar!

Aquaman sempre foi uma personagem de segunda categoria, para não dizer de terceira. A “santa trindade” da DC (Superman, Batman e Wonder Woman) era intocável no seu panteão, mas há uns anos o  Green Lantern Hal Jordan passou para este nível, logo seguido pelo Flash! Agora temos o homem-peixe que saltou também para o primeiro plano! Dá a ideia que dois grandes estão a cair, Superman e Wonder Woman, com esta súbita subida dos heróis de segunda… todos eles recuperados por este autor. Geoff Johns!

Aquaman saltou da Blackest Night para Brightest Day com sucesso, e Johns aproveitou para lhe dar um boost a sério. Assim aconteceu! Aquaman passou a ser uma personagem de primeira, com boas histórias e um bom perfil psicológico. Mas Johns não recuperou só Aquaman… tinha de lhe dar um side-kick, e quem melhor que a obscura e esquecida Mera para ser a sua mulher e coadjuvante? Mais uma aposta ganha! Mera foi das personagens que mais me impressionou em Blackest Night. Quem leu esta mega saga tem de concordar comigo! Completamente selvagem fez esquecer muitas personagens de primeiro plano, inclusivamente o foco nos Lanternas Verdes. Sim porque Mera entrou com raiva, entrou como Lanterna Vermelha!

Johns estabeleceu definitivamente os poderes de Arthur. Algo que nunca tinha ficado bem definido no passado. Deu-lhe um passado, deu-lhe um sentido de humor muito particular e sobretudo deu-lhe personalidade. Uma personalidade que se vai moldando conforme a acção se vai desenvolvendo. Arthur está à procura do seu espaço, acabar com as suas incertezas, quer ganhar o respeito dos homens para quem sempre foi uma anedota. Conta com a ajuda de Mera para isso. Este é outro dos trunfos de Johns bem jogado, podia ter saído mal, mas enriquece muito o livro. Ele joga com Mera e a sua personalidade tanto a fazer equipa com Arthur, como em linhas narrativas paralelas a “solo”.

É impossível falar do sucesso deste livro sem falar no brasileiro Ivan Reis. Ele foi enorme no desenho! A água, meus senhores, a água… passou a ser vista por mim de outra maneira com o desenho deste homem. A água em movimento é muito difícil de desenhar, pelo menos é o que dizem os desenhadores na generalidade. Os detalhes de simples ondulações, com brilhos e matizes colocados nos sítios correctos fazem de muitas páginas um verdadeiro delírio visual. As cenas de acção estão muito bem conseguidas, e Aquaman passou do ridículo laranja e verde do uniforme a deslizar no azul, para um verdeiro e espectacular torpedo laranja que dá gosto visualizar página a página!

Chega de “graxa” aos autores…

Basicamente não vou contar muito da história. Arthur não quer voltar a Atlantis e fica a viver em Boston com Mera. Tenta integrar-se na sociedade local, mas é complicado. Muitas vezes gozado e incompreendido rapidamente mostra a sua autoridade em conjunto com Mera.
Do abismo do mar uma espécie carnívora sobe até à borda de água para se alimentar de carne (leia-se humanos). Aquaman e Mera são chamados para ajudar nesta crise e depois de uma luta sem quartel esta espécie (The Trench) retira-se para as profundezas da Fossa das Marianas. Levam cativos em casulos para se alimentarem mais tarde, e aí a Mera e Aquaman decidem descer até às maiores profundezas oceânicas, descobrindo uma antiga civilização…
Querem saber mais? Comprem o livro!
:P
Sem dúvida um dos melhores títulos destes “Novos 52” da DC comics, tirei muito prazer desta leitura!

Fiquem também com o press release da Levoir:

Volume 6 - Aquaman: O Abismo

Aquaman é confrontado com uma estranha e terrível ameaça que surge das profundezas oceânicas, e o Rei dos Sete Mares terá de provar ao mundo, que o desdenha e o vê como uma piada, que é um dos super-heróis com os quais a Terra pode contar.

O relançamento que cimentou uma das mais antigas personagens da DC no firmamento dos Novos 52, pela mão de Geoff Johns, um dos mais criativos argumentistas actuais, e do artista Ivan Reis.

Arthur Curry é Aquaman. Criado em 1941 por Paul Norris, Aquaman teve como primeira das suas várias origens, ser filho de um explorador submarino que descobriu as ruínas da Atlântida, o que lhe permitiu usar o conhecimento atlante para ensinar ao seu filho a respirar debaixo de água, falar com criaturas marítimas e fazer uso do “poder do mar” para se tornar mais forte e rápido. No entanto, Aquaman nem sempre foi levado muito a sério pelo público, devido ao facto do seu poder mais notável ser o de “falar” com peixes. Até que o seu título foi reiniciado por Geoff Johns e Ivan Reis, cujo talento e nome trouxeram a Aquaman um sucesso comercial sem precedentes, e é precisamente o primeiro capítulo dessa empolgante nova era do Rei dos Sete Mares - em que se recupera a origem antiga da personagem - que aqui apresentamos em O Abismo.






Quando perguntaram a Geoff Johns, em 2013, se ele achava que tinha cumprido os seus objectivos com a personagem, ele respondeu: “Sinto que não só conseguimos colocar o Aquaman de volta no mapa, mas a Mera também. E acho que a Mera nunca tinha sido uma personagem que as pessoas realmente tinham considerado antes.” E, na mesma entrevista Geoff Johns exprimiu assim os seus desejos para o futuro da personagem: “Com o sucesso que tivemos com o relançamento do herói nos Novos 52 e o número de pessoas que agora são fãs do Aquaman, a situação é muito diferente do que era há quatro anos atrás. Nunca se tinha imaginado um livro do Aquaman no top 10 da DC, mas até agora o seu sucesso tem-se mantido. Não sei se o Aquaman alguma vez vai voltar a vender mais que os títulos da Marvel, como aconteceu nos meses em que saíram os números #5 e #6 desta série, mas certamente acho que ele está aqui para ficar.”

Aquaman: O Abismo
Geoff Johns (argumento), Ivan Reis e Joe Prado (desenho)
144 páginas a cores, formato comic, capa dura


Boas leituras




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