quinta-feira, 21 de maio de 2015

Saga Vol.1 & Vol.2


É um prazer enorme descobrir que ainda há espaço para a imaginação.
Espaço para a aventura mergulhada no fantástico da ficção cósmica, em formato BD bem escrito!

Os leitores portugueses saíram de uma crise de confiança relativamente às editoras com todas as colecções que têm saído por parte da Levoir (sobretudo esta) e ASA para as bancas. A G.Floy decidiu seguir o caminho das bancas também (e em livros de capa dura) para uma distribuição mais alargada dos seus produtos. Embora não sejam colecções semanais, não fazia sentido neste caso, esta editora está apresentar séries de grande qualidade. Saga é uma delas e a G.Floy não está a falhar com o planeamento prometido. O 3º volume está já previsto para Outubro deste ano!

Brian K. Vaughan já é bem conhecido neste blogue com Y: The Last Man e Fábula de Bagdade. Um excelente contador de histórias, fora dos comics de super-heróis, que apresenta aqui um universo forte, bem estabelecido, divertido e com motivos quanto baste para que qualquer leitor fique agarrado pela história. Personagens femininas bem fortes e presentes fizeram com que o público feminino aderisse em massa a esta Saga.

A desenhadora Fiona Staples conhecida anteriormente por  DV8: Gods and Monsters e Mistery Society acabou por ser apresentada a Vaughan pelo amigo comum Steve Niles.
A sua arte limpa, imaginativa e muito expressiva cativou imediatamente Vaughan e a partir daí nasceu SAGA.
De notar que ela também é "dona" de Saga, em conjunto com Vaughan. Ela faz as capas, desenho, imaginou, desenhou todas as raças aliens e naves espaciais. Como curiosidade, toda a legendagem com caligrafia manual foi feita com o seu próprio punho.

Houve um livro que marcou o meu imaginário quando eu era adolescente: Star Wars. Li o livro antes de ver o filme e fiquei a sonhar com todos aqueles mundos tão diferentes. Saga fez-me sentir o mesmo!

Saga é insana. A imaginação vai longe nas páginas destes livros! Uma árvore nave espacial? Um príncipe Robô cuja cabeça é um monitor? Fantasmas com entranhas a cair? Magia?? Cavalos alados? A mulher aranha mais sexy do universo? Sim... é louco!

Mas ao mesmo tempo bastante palpável. Duas pessoas de raças diferentes e inimigas amam-se, e tudo fazem para manter a sua filha híbrida a salvo. Duas raças em sua perseguição devido à "heresia", e claro, por causa de uma filha que poderia ameaçar o status quo de uma guerra que já ninguém se lembra como começou... Alana, Marko e Hazel tornaram-se alvos em toda a Galáxia, embora só procurem ser felizes e criar a sua filha em paz.

As motivações de todas as personagens, heróis e vilões, são perfeitamente claras. Aliás, os vilões... estas personagens em Saga estão muito bem tratadas, são completamente tridimensionais. Esta é uma das grandes armas desta série, o tratamento psicológico, físico e social das personagens está muito bem trabalhado, e bolas... Fiona Staples consegue desenhar uma raça humanóide em que a cabeça é um monitor sem parecer estranha... aliás, até uma cena de sexo foi feita com o Príncipe Robô e a sua "princesa"! Esta personagem está muito, mas muito bem tratada ao nível da sua construção.

Para além disto tudo, tem páginas lindíssimas, um gato que diz "MENTIRA" quando alguém foge à verdade e existe um bordel à escala planetária! :D

Brian K. Vaughan e Fiona Staples conseguiram construir um ambiente completamente alien, mas ao mesmo tempo completamente familiar para qualquer humano do planeta Terra. Os problemas das personagens são identificáveis na nossa sociedade, a série aborda temas complexos como sexualidade, guerra, racismo e marginalização. Tudo isto está embutido em Saga de uma maneira tão familiar e subtil que nem notamos aquando de uma 1ª leitura...

Afinal sempre se consegue inovar (e bem) com imaginação e sucesso. A riqueza das personagens então é garantidamente um dos pontos mais fortes de Saga e contribui muito para o seu sucesso! Esta dupla conseguiu dar um pontapé no marasmo deste tipo de publicações que se andavam a copiar umas às outras apresentando apenas nuances um pouco diferentes umas das outras.
Saga prima pela originalidade!

Não fiz um artigo sobre os primeiros números das várias séries da G.Floy porque queria ter a certeza que eram mesmo boas. E são! O Leituras de BD recomenda estas dois livros desta muito boa série ongoing.
Já agora... acho que não referi a editora norte-americana. A Image, claro!
:)

Hardcover
Criado por Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Editado em 2014 (Vol.1) e 2015 (Vol.2) pela G.Floy




























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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Capas: Detective Comics #857



Fabulosa capa de J.H. Williams III com a Batwoman em destaque.
Capa do tempo em que esta personagem me fascinava, ou seja, com a mão de J.H. Williams III, e aqui na 4ª parte (e última) de Elegy!

Depois a DC Comics borrou tudo ao ir contra os autores que colocaram esta personagem em cima. Agora, e infelizmente, é só ir para baixo... -_-

Saudades da Batwoman, que deixei de comprar no vol4.


Boas leituras
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terça-feira, 19 de maio de 2015

Vertigo: Pré-Vertigo Parte 3
A história que antecede o selo: 1988

Regressamos aos anos que marcaram o surgimento de novos formatos e novas maneiras de contar histórias na DC Comics, a caminho da Vertigo. O número de revistas para leitores mais experientes cresceu exponencialmente, pelo que agora cada ano será tratado separadamente.

Em 1988, a DC já editava regularmente uma pequena quantidade de títulos dedicados a histórias com temáticas mais adultas e mais intimistas, cada vez mais afastadas das tradicionais histórias de super-heróis e de aventura. A lista de revistas mensais incluía Swamp Thing, The Shadow, The Question e a antologia Wasteland. Também já tinha começado um novo volume de Doom Patrol, mas a revista ainda contava com o selo da Comics Code Authority e a Patrulha do Destino agia como uma vulgar equipa de super-heróis. O título de espionagem Suicide Squad também já tinha começado (e teria um spin-off, Checkmate!, durante 1988), mas as histórias passavam-se firmemente no Universo DC, com histórias cruzadas com a Liga da Justiça. O mesmo se passava com o título do detective sobrenatural Espectro, The Spectre, do qual faziam parte do elenco Madame Xanadu e alguns antagonistas da série I… Vampire.

Esse número aumentou em Janeiro com a chegada de Hellblazer, estrelando uma personagem secundária das histórias do Monstro do Pântano, o amoral feiticeiro britânico John Constantine, ex-punk rocker, anti-social e fumador compulsivo. Criado por Alan Moore, Constantine tinha surgido nas histórias do Monstro do Pântano, mas o escritor não trabalhou com ele no novo título. Hellblazer ficou conhecido por lidar com vários temas sociais, com as características de terror das histórias mais subtis, além de ficar completamente afastado do Universo DC. Jamie Delano foi o primeiro escritor, antes de passar as rédeas para Garth Ennis, no que foi o primeiro trabalho americano de ambos. Já dentro da Vertigo, Paul Jenkins e Warren Ellis também escreveram histórias.

Hellblazer foi o último título sobrevivente da linha original da Vertigo, continuando a ser publicado até 2013, encerrando com o número 300, a partir do qual John Constantine regressou finalmente ao universo DC. Apesar da personalidade mais britânica do livro, o americano Brian Azzarello também escreveu o título, antes de passar para a pasta para uma nova série de autores britânicos (Denise Mina, Andy Diggle e finalmente Peter Milligan).

Em Fevereiro chegou a série mensal Green Arrow. Prosseguindo a partir dos eventos da mini-série, a primeira série mensal do Arqueiro Verde transformou Oliver Queen num vigilante urbano, lidando contra o crime organizado e políticos corruptos na cidade de Seattle. Dinah Lance e a ninja Shado passaram a fazer parte do elenco, mas quase sem mencionar super-poderes (paralelamente, Dinah continuava a operar como Canário Negro nas histórias da Liga da Justiça), e o contacto com o resto do Universo DC foi praticamente cortado. A revista continuou a fazer parte da linha para leitores maduros até ao número 62, quando Queen voltou a comportar-se mais como um super-herói, mas o escritor Mike Grell continuou no título até à edição 80, precisamente um mês antes da Vertigo começar.

Fevereiro foi também o mês de lançamento da mini-série em formato de luxo Blackhawk. O herói aviador da Segunda Guerra Mundial, adquirido pela DC à Quality Comics após a falência desta em 1957, viu a sua origem completamente revista, com Howard Chaykin a emprestar mais realismo ao título durante as três edições, com mais detalhes sobre os aviões, mais motivações políticas por trás das acções do herói principal (transformado num polaco naturalizado americano) e maior cuidado com as personalidades dos outros membros do esquadrão aéreo, especialmente Lady Blackhawk e o chinês Chop-Chop (anteriormente uma caricatura racista).

Alan Moore regressou às bancas em Junho com a edição especial Batman: The Killing Joke. Embora Batman nunca tenha sido considerado material Vertigo, o surgimento de novos formatos de publicação nos anos 80 ajudou à publicação de material mais adulto, e a natureza noctívaga do vigilante tornou-o apelativo para histórias com mais consequências. The Killing Joke, desenhada por Brian Bolland, é um exemplo disso, dada a fama da história onde o Joker é elevado ao nível de um verdadeiro psicopata, paralisando Barbara Gordon com um tiro na coluna e torturando o comissário Gordon. Mais edições especiais e mini-séries se seguiram onde o crime e o terror eram ingredientes normais.

Poucos meses depois, em Setembro, foi a vez de V for Vendetta, em parceria com David Lloyd. A série tinha começado na antologia britânica Warrior em 1982, mas foi interrompida com o fecho desta. A DC adquiriu o título e Moore e Lloyd recombinaram o material existente, levando depois a história até à sua conclusão natural em dez números. V for Vendetta é, tal como Watchmen, uma das obras-primas da DC, explorando um futuro (ou presente) alternativo onde conflito nuclear tinha devastado o planeta e apenas uma Inglaterra fascista sobrevivia, para ver depois a sociedade ser destruída, tanto formal como filosoficamente, por uma figura mascarada de inspiração anarquista. Ao contrário de Watchmen, futuras reimpressões de V for Vendetta passaram a ter o selo da Vertigo na capa. A sua transformação em filme tornou-a bastante mais relevante como um ícone cultural nos últimos anos, ainda que Moore tenha ficado muito pouco satisfeito com as características mais populistas da adaptação.

Setembro foi também o mês do lançamento da revista Animal Man. Outrora um super-herói obscuro de segunda linha, Grant Morrison, acompanhado por Chas Truog, transformou o Homem-Animal numa figura mais humana, ao mesmo tempo que explorou temas psicadélicos, ecologia, a natureza dos superpoderes e até metanarrativa, tentando derrubar a fronteira entre os criadores, as suas personagens e os leitores, um tema que viria a explorar várias vezes no futuro. Morrison escreveu o título durante 26 números, antes de entregar a revista a Peter Milligan e depois a Jamie Delano, que introduziram temas de shamanismo e magia totémica na série. A revista fez parte do lançamento inicial da Vertigo, mas já tinha passado a ser recomendada para leitores adultos alguns anos antes. Apesar de ter sido publicada muito antes da sua integração na Vertigo, a passagem de Morrison por Animal Man é considerada a mais importante do título.

Várias mini-séries mais viradas para adultos foram publicadas durante 1988. A mais conhecida é talvez Cinder and Ashe, uma mini-série em quatro edições que começou em Maio. Criada por Gerry Conway e José Luis García-López, é uma história hard boiled the detectives, um estilo e um tema que Conway viria a explorar mais nos anos seguintes, quando saiu da indústria de BD para a televisão. Cinder and Ashe foi reimpresso recentemente, depois de décadas fora da vista dos leitores, mas não na Vertigo, pois apesar de ter temática apropriada, o visual é demasiado tradicional. Tailgunner Jo, de Peter B. Gillis e Tomosina Artis, começou em Setembro e durou seis números, uma história de ficção científica de guerra passada no futuro, onde um desastre natural alterou completamente a geografia do planeta. Ficou na lista dos 'desaparecidos em combate' como tantas outras. O mesmo não se pode dizer de Unknown Soldier, mini-série em 12 números lançada em Dezembro. Escrita por Jim Owsley e desenhada por Phil Gascoine, foi a primeira história pós-crise do Soldado Desconhecido, transformado num agente especial bem mais cínico e menos patriota do que o modo como era representado nas antologias de guerra. Embora não tenha sido reimpressa, serviu como elo de ligação para o uso do personagem por Garth Ennis já na Vertigo, em 1997, de um modo igualmente cínico e sombrio.

Com histórias mais adultas que as tramas normais do Universo DC, a revista mensal Haywire (lançada em Outubro), que durou 13 números, e as mini-séries The Weird, de Jim Starlin e Bernie Wrightson (Abril), Deadshot (Novembro) e Peacemaker (Janeiro), todas de quatro números, encaixavam perfeitamente no espírito da Vertigo, mas estavam presas na cronologia. Deadshot, com o vilão tornado anti-herói Floyd Lawton (mais conhecido como Pistoleiro), era, aliás, um spin off do Esquadrão Suicida, enquanto Peacemaker (em português, o Pacificador), tentava ter o mesmo sucesso na DC de que gozavam outros personagens comprados à editora Charlton, nomeadamente o Besouro Azul e o Capitão Átomo, que à época integravam a Liga da Justiça.

Depois do sucesso da mini-série, Clark Savage Jr. seguiu o mesmo caminho do seu correligionário da Street & Smith, o Sombra, e ganhou uma série mensal. Começando em Novembro, Doc Savage, escrita por Denny O'Neil e utilizando capas pintadas evocativas das revistas pulp, trouxe o herói dos anos 30 e 40 para o presente, lutando contra novas ameaças ao lado do seu neto, também chamado Clark. Apesar do ambiente moderno, era mais fiel ao espírito original do 'Homem de Bronze' que as surreais histórias do Sombra. Durou 24 números e um anual. Outro herói adaptado foi publicado pela DC a partir de Outubro de 1988, o Prisioneiro. Sequela da série de televisão da ITV dos anos 60, The Prisoner: Shattered Visage foi uma mini-série em quatro edições em formato prestige. Escrita e desenhada por Dean Motter, passava-se 20 anos depois, na aldeia onde o Prisioneiro Número 6 ainda estava vivo. Tinha um visual bem mais parecido ao que viria a tornar-se a Vertigo e foi reimpressa em 1990, mas nunca chegou a integrar o selo.


Houve também espaço em Dezembro para duas novas séries, Dragonlance e Advanced Dungeons and Dragons, inspiradas nos respectivos RPG produzidos pela TSR, no mesmo formato das histórias mais adultas, mas a série de fantasia apelava a um público mais especializado. Nos anos seguintes, a linha TSR foi expandida com mais títulos, Gammarauders, Forgotten Realms, Spelljammer, Avatar a antologia TSR Worlds. A TSR Comics foi cancelada em Novembro de 1991.






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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Lone Wolf and Cub: Parte III - Conclusão


Esta é a terceira e última parte de um artigo acerca da obra Lone Wolf and Cub. As duas primeiras partes podem-nas ler aqui:
 
Lone Wolf and Cub: Parte I - Introdução

Lone Wolf and Cub: Parte II - Obra

 
Poder-lhe-ia chamar a esta parte, a parte final: Lone Wolf and Cub - Influência; em vez de, simplesmente, conclusão. Sim, Lone Wolf and Cub teve uma forte influência na arte de diversos artistas que lhe seguiram (como já, sumariamente, me referi) mas não só. Foi levado para os ecrãs: tanto para os grandes (cinema) como para os pequenos (televisão). E tem sido alvo de sequelas, reestruturações dramáticas, em formato manga, mais ou menos inspiradas na história original.

Acho que todos temos um pouco dessa necessidade de preservar a memória que temos das nossas histórias favoritas, custa-nos admitir «É perfeito, não admite sequela, é impossível fazer melhor!». Rapidamente nos habituamos à ideia, ou seja, seja melhor ou pior, o que se pede é que respeite o original e, faltar ao respeito ao original «É que não!»... bem, em abono da verdade, é difícil que o "desrespeite", o original «É intocável.». Quero com isto dizer, a arte, as ideias, são de todos (para usufruto e manipulação), são do mundo. Não o fossem, não teriam o impacto que têm. Fazer delas algo de novo, compete-nos: criadores; artistas; leitores.

Farei um breve retrato da série original adaptada para o cinema, baseada directamente na obra Lone Wolf and Cub: a série Baby Cart. Falarei um pouco sobre a sequela, New Lone Wolf and Cub, pelo cunho do argumentista Kazuo Koike, assim como de uma readaptação para o género ficção científica: Lone Wolf 2100.


No cinema (série Baby Cart)
 
Os filmes são fiéis ao original. A adaptação, à conta dos constrangimentos temporais naturais do formato, usa-se de vários capítulos, várias cenas de Lone Wolf and Cub que, reorganizadas de uma forma inteligente, conseguem emprestar um fio condutor que nos "agarra" à tela. Talvez porque os autores, Koike e Kojima, estiveram muito envolvidos na sua montagem, talvez.

A série de filmes a que me refiro é a seguinte: Sword of Vengeance, 1972; Baby Cart at the River Styx, 1972; Baby Cart to Hades, 1972; Baby Cart in Peril, 1972; Baby Cart in the Land of Demons, 1973; White Heaven in Hell, 1974. Quero dizer, os filmes são rodados na década de setenta, por altura da criação da própria manga, pelo que: não contem com efeitos "muito" especiais.























  



Aliás, as cenas de gore fazem lembrar as cenas gore de filmes posteriores, como Kill Bill de Tarantino, por exemplo, são cenas ridículas, na verdadeira acepção da palavra, mas de um género de ridículo que lhe dá "piada", porque tudo o resto: é muito sério. Ou seja, das cabeças e dos membros decepados jorram litros de sangue em repuxo, de um tom vermelhão que mais nos faz crer que se trata de tinta, e não de sangue.
 
Depois, há todo um género de sensibilidade que ainda consigo admirar em cinema, que é uma forma de filmar, de fotografar, que não se reduz ao cliché, que ainda me consegue surpreender. Uma cena que me captou a atenção, por exemplo, é a de que num desses massacres protagonizados por Ogami Ittō a câmara encontra-se por debaixo de um móvel e só nos damos conta do movimento dos pés dos personagens «Esses pés dançam! Uma espécie de sapateado.». E, à medida que os pés vão saindo e entrando em cena, conseguimos imaginar a cena de violência, os corpos a caírem, sem que, para tal, o espectador recorra a mais algo que não seja a sua própria imaginação.

Quero, no entanto, deixar claro que, na minha opinião, os filmes não fazem totalmente jus à qualidade da obra no seu formato original, a manga. Alguns dos seus aspectos importantes, aos quais me referi na segunda parte deste artigo, ficam aquém do que poderiam eventualmente ser explorados: principalmente a sua componente mais espiritual. De qualquer das formas, são objectos da sétima arte inegavelmente curiosos.


New Lone Wolf and Cub 
 
Shin Lone Wolf and Cub, ou New Lone Wolf and Cub, é a sequela principal. Chegada até nós pelas mãos de Kazuo Koike (argumento) e Hideki Mori (desenho), a história continua exactamente no ponto em que a história original acaba. Aqui, no blogue leituras de BD, podem ler o anúncio do seu lançamento pela Dark Horse em:
  
Nova série Lone Wolf and the Cub para 2014 na Dark Horse 




Eu, infelizmente, à data de hoje apenas consegui ler o primeiro volume «Claro está! Fiquei com vontade de ler o resto.». A seu favor está o facto de o argumentista ser o mesmo, Kazuo Koike, e o desenhador, Hideki Mori, ser um confesso entusiasta do trabalho de Goseki Kojima (razão que o terá eventualmente levado ao desenho).


Aliás, o trabalho de Hideki Mori em New Lone Wolf and Cub reflecte isso mesmo, é um trabalho muito próximo à arte de Goseki Kojima. Embora, na minha opinião, haja algo na arte deste último (algo que não vos consigo definir completamente) que me leva a não gostar tanto do desenho das expressões, da transmissão de sentimentos e emoções, por parte das personagens.


A história, é simples e concisa, mas é-me difícil de a avaliar sem ter tido acesso à obra completa. Confesso que, para já «esperava algo mais inovador da parte de Kazuo Koike». A história dá uma reviravolta, as personagens mudam mas o enredo mantém-se idêntico, Ogami Daigorō e um novo personagem, o samurai Tōgō Shigekata, trilham os caminhos da Japão feudal com a ajuda do, já mítico, carrinho de bebé.


Lone Wolf 2100
 
Não entrarei em grandes detalhes, fica aqui a curiosidade. Lone Wolf 2100 é uma versão reinventada, do imaginário Lone Wolf and Cub, transposta para um cenário pós apocalíptico (ficção científica). Trazida até nós por Mike Kennedy (argumento) e Francisco Ruiz Velasco (desenho): Daisy Ogami é filha de um cientista de renome, Itto é o guarda costas de seu pai (um robô de guerra); ambos tentam escapar aos planos da corporação Cygnat Owari.

A obra é de 2002, dois anos antes da sequela New Lone Wolf and Cub, uma altura em que Kazuo Koike "voltava do fundo de um local bem escuro", ainda recuperava do luto pela morte de Goseki Kojima. No entanto, ao que parece, terá tido um envolvimento indirecto na mesma. Aqui vos deixo, a capa.


 
Boas Leituras

(Fim)
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domingo, 17 de maio de 2015

Ilustração: Parliament of Trees por Stan Woch



Este belíssimo painel pertence ao arco Parliament of Trees da saga Swamp Thing, ainda no tempo de Alan Moore. Saiu no Swamp Thing #47 (1986), foi desenhada por Stan Woch com "arte-final" de Ron Randall e colorida por Tatjana Wood.


Este arco conta a história do primeiro encontro do Swamp Thing com o Parlamento das Árvores, no Brasil.
O Monstro do Pântano tranfere a sua mente para as florestas da Amazónia, e aí ajudado é por John Constantine.


A sua capacidade de fazer crescer um novo corpo num local distante aumentou significativamente....  é guiado por Constantine pela selva, ao mesmo tempo que este lhe conta tudo o que sabe sobre os Elementals do mundo vegetal, assim como lhe conta que ele próprio Swamp Thing é um Elemental.


Constantine deixa o Monstro do Pântano caminhar sozinho em direcção ao Parlamento da Árvores, e aqui o Monstro do Pântano descobre muito sobre a sua verdadeira natureza...




Boas leituras






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sábado, 16 de maio de 2015

Bizarrices: Codpiece


Codpiece, o vilão do canhão sexual!

Áh... bendita DC Comics (através da Vertigo) que nos trouxe estas pérolas! Codpiece, o vilão cuja arma está incorporada nos seus genitais!
Este vilão de adereços sexuais explosivos foi inimigo da Doom Patrol criado por Rachel Pollack, uma autora transsexual. Porque é que refiro este facto? Bom, tem tudo a ver como irão reparar no final.
O desenhador envolvido neste processo foi Scot Eaton...
Codpiece apareceu pela primeira vez (e penso que última) na revista Doom Patrol #70 de 1993.

Já agora, codpiece era algo que se usava nos sec. XV e XVI na zona da braguilha das calças para aumentar artificialmente o volume "da coisa". Ora o nosso vilão era gozado na escola por ser pequeno, e depois em adulto uma prostituta voltou a falar da sua "pequenez"! O homem andava mesmo com problemas sexuais. Daí até construir um verdadeiro canhão tipo canivete suiço na zona onde morava o seu "pequeno hamster" foi um pequeno passo. :D

Assim Codpiece ficou armado na sua genitália com um poderoso canhão, luvas boxe duplas disparadas por mola (aka the Tickler ou Rabbit), emissor de ultra-sons, mísseis, uma potente broca (lol) e para terminar em beleza, uma tesoura gigante... (ahah)

Bom, tudo isto porque a argumentista Rachel Pollack nos queria apresentar as origens da primeira super-heroína transsexual da história dos comics: Coagula.
Sim, no final é ela que ainda sem uniforme e apenas com uma máscara de sapo, que elimina a ameaça do Codpiece! Poderes de Coagula: dissolver sólidos e coagular liquidos.
Como os conseguiu? Sendo uma prostituta e tendo relações com o membro transsexual da Doom Patrol... sim, isto é complicado! :D

Eram os anos 90!

























































Boas leituras
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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ilustração: Elektra por Bill Sienkiewicz II



Este já é o segundo post que faço na rubrica Ilustração com este tema: Elektra por Bill Sienkiewicz. Daí o título do post ter um "dois romano", e já agora gostaria que vissem o primeiro post que fiz. São ilustrações magníficas! É só clicar no link aqui em baixo :)

Ilustração: Elektra por Bill Sienkiewicz


Porquê esta fixação? Bem, a assassina de vermelho sempre me fascinou. Bela e letal, não se lhe pode chamar heroína nem "bandida", Elektra é Elektra!
Penso que Bill Sienkiewicz conseguiu captar a essência desta personagem, não digo na sua totalidade porque a personagem é aquilo que o autor quiser que ela seja, mas da maneira que eu gosto. Acho o traço deste norte-americano fascinante, e Elektra casa muito melhor com este artista do que com qualquer outro.


A sensação que me dá é a de uma Elektra freneticamente fragmentada, mas em que ao mesmo tempo tudo compõe para um grande resultado final na sua representão gráfica.
Sienkiewicz é o único autor experimental, impressionista psicadélico, surrealista do demónio que eu gosto. E a minha ninja assassina preferida desenhada por ele fica sempre o máximo!
(Na minha pouco importante opinião, claro...)
:D


Então observem e absorvam!

( E leiam o livro Elektra: Assassin)
















































































E agora observem Bill Sienkiewicz a desenhar a Elektra:
:)






Boas leituras
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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Lançamento Devir: The Walking Dead Vol.12



A Devir vai lançar mais um livro da famosa série Walking Dead. Um campeão de vendas sem dúvida.
Este livro irá ser distribuido no dia 15 de Maio de 2015.
Fiquem com a informação da editora e algumas imagens:







THE WALKING DEAD
VOL. 12: VIVER ENTRE ELES

O grupo de Rick trava conhecimento com Aaron, que os apresenta a uma comunidade de sobreviventes, presidida por um homem chamado Douglas Monroe. A receção ao grupo é uma agradável surpresa, por contraste ao modo de vida que têm levado até agora.
Mas Rick suspeita que nem tudo é como aparenta ser.

136 páginas a preto
FORMATO: 168x258 mm
ISBN: 978-989-559-256-2
EAN: 9789895592562
PREÇO: €14,99 PVR
Edições Devir





























Boas leituras
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