terça-feira, 31 de março de 2015

Anicomics 2015: Entrevista a Osvaldo Medina



Osvaldo Medina é um dos bons desenhadores portugueses. Já trabalhou com diversos argumentistas, como Nuno Duarte, David Soares ou Mário Freitas, foi galardoado com vários Prémios nacionais e tem o seu dedo em muitas animações que passam pela televisão.

Vai estar presente neste Anicomics de 2015 para falar sobretudo do seu livro em execução "Kong da King". Assim o Leituras de BD resolveu fazer uma entrevista no âmbito da divulgação do 6º Anicomics para que os leitores deste blogue conheçam um pouco mais do artista Osvaldo Medina, e ver mais quatro páginas pela primeira vez (as 4 primeiras).

_______________________________________________

Primeira pergunta cliché... Podes falar um pouco do teu percurso profissional dentro do mundo da BD e Animação?

Comecei a trabalhar em animação em 97 com a produtora Animanostra, um dos meu primeiros trabalhos foi a intercalação do " Patinho" para o canal 2. Trabalhei em diversas séries de animação e curtas metragens realizadas pelo Ricardo Blanco, Pedro Brito, Afonso Cruz, André Ruivo, Filipe Abranches, etc...Estive na Animanostra até 2012. Daí passei para a Bang Bang na produção "Nutriventures" como storyboarder. Agora estou a fazer o mesmo na Go-to na série "Lucas" que começou a ser transmitida na RTP2 na semana passada.
Entretanto comecei a fazer BD a sério com a "A Fórmula da Felicidade",escrito pelo Nuno Duarte, em 2009, "Mucha" do David Soares, o "Caos" do Fernando Dordio, o "Hawk" do André Oliveira, os "Pigs" do Mário Freitas.

O teu novo livro, que penso estará prestes a sair chama-se King the Kong. Como surgiu na tua cabeça este King The Kong?

Haha atenção o livro chama-se "Kong da King"! O Kong foi um personagem que rabisquei enquanto fazia um chatíssimo trabalho de animação, o personagem foi criado já há uns bons anos...Estava à espera de uma história que lhe servisse, rabisquei-a durante outro trabalho e saiu isto que estou em vias de concretizar.

Quais são as tuas expectativas em relação a este trabalho?

As minhas expectativas são acima de tudo que as pessoas gostem do livro e de editar fora do país. Temos que ir à internacionalização senão ficamos entalados neste canto.



























Podes falar um pouco do livro e já agora, que tipo de emoções pretendes que os teus leitores sintam após acabarem de ler o livro?

O livro não tem texto, jamais foi escrito texto algum ( mas tem argumento hm!!), passei directamente da idealização para o rough da esquematização de pranchas. Deu-me algum gozo, acima de tudo porque este trabalho é só meu. Digam o que disserem o responsável sou só eu. É acima de tudo um livro bem disposto, não é que não goste de material mais pesado (a minha próxima BD a solo vai ser !) mas também é preciso alguma boa disposição. Quero que as pessoas reconheçam as situações que surgem no livro e que percebam que é uma crítica divertida ao nosso mundo.

São cerca de 120 páginas sem balões, ou seja, graficamente esta obra terá obrigatoriamente de falar através do desenho, e isso não é uma coisa fácil e por isso não normal no mundo da BD. Porque o decidiste assim? Querias mesmo uma obra a que pudesses chamar tua?

Queria , efectivamente, algo meu. Nada contra o trabalhar com outras pessoas (acho que o nosso trabalho só ganha com as colaborações, olhamos para além do nosso umbigo) mas temos que ter, como autores/criadores, algo só nosso. Queria que fosse um exercício de expressão visual, perceptível aqui ou em Vanuatu. São 134 páginas, neste momento faltam 17.

A aposta no preto e branco neste teu livro é escolha preferencial tua, ou simplesmente não gostas de colorir?

Eu sou um desenhador, não um colorista, acho que me faltam capacidades para isso por isso mantive esta BD no meu meio, o desenho. Temos que saber aonde estão as nossas forças e as nossas limitações. Se eu fosse colorir demoraria muito mais tempo também.

Qual foi a tua maior dificuldade, graficamente falando, com este novo livro, se é que houve alguma?

Dificuldades até agora, só mesmo a dimensão do projecto. Tendo em conta que o meu trabalho, grande parte feito em casa, toma-me muito tempo que acaba por ser roubado aos projectos pessoais como este "Kong".

E o teu sonho como artista de Banda Desenhada e Ilustração qual é? Isto para além do sonho dos costume de ganhar milhões com os livros publicados...

O meu sonho? Não sei, gostava de ter trabalho meu a ser vendido por esse mundo fora. Chega-me.

Tens algum argumentista com quem gostarias de trabalhar mesmo mesmo mesmo?

Não tenho nenhum argumentista que possa dizer isso... Calculo que me perguntes a nível internacional, tenho mais personagens que gostaria de trabalhar um dia...Adoraria fazer um Spirou, sempre fui fã da série. Quanto aos argumentistas nacionais posso dizer que já tenho experiência com alguns!

Pergunta de retórica... O que pensas sobre a BD nacional e o seu rumo actual?

A BD actual. Ao contrário de muita gente, eu acho que vai bem. Como é óbvio não temos nº de leitores suficiente (daí a internacionalização) mas temos N talentos já estabelecidos ou a aparecer. O "Crumbs" é um bom exemplo de trabalho transversal a muitos géneros, que foi bem recebido quando foi apresentado no "Though Bubble". Quanto mais gente trabalhar no meio, melhor gente teremos a trabalhar no meio, é simples.

Qual foi teu o trabalho na BD, sem contar com este que está para sair, que te agradou mais como produto final?

Até hoje o que mais me agradou foi a Fórmula. Talvez por ser o primeiro, pela dimensão... Sem desprimor nenhum para os outros feitos mas, sim, foi esse.

E para o futuro, já tens projectos?

Para o futuro, já há mais coisas combinadas. Com o Nuno Duarte, mais uma vez, uma colaboração com o Mário, com o Dordio...e mais. Mas como está tudo no ar, logo se verá se a coisa se concretiza. E claro, mais uma a solo, não com a dimensão do Kong e uma história muito mais pesada. Essa história surgiu-me em 5 minutos, quase tudo perfeitamente esclarecido, depois de visitar um fojo que é uma armadilha enorme para lobos, usada no norte de Portugal.

Se não tivesses ligado às artes, qual seria a profissão que gostarias de ter?

Não estou a ver trabalho algum em que não pudesse estar ligado à imagem... Outra opção seria a fotografia mas, lá está, imagem. Talvez algo a ver com animais. Durante uns tempos a veterinária era uma opção.

Como passas o teu tempo livre, que eu penso que não será muito?

Tempo livre é algo raríssimo. Acabo por usá-lo na fotografia ou em passeios... Não vou ao cinema desde o ano passado! Não fui ao Porto, ao Comic Con o ano passado por manifesto cansaço.

Já estiveste presente em vários Anicomics, qual o teu sentimento/opinião em relação a este evento?

O Anicomics é um festival curto, intenso, com um público alvo muito bem definido. E é um sucesso por isso mesmo, só lhe falta crescer, mas como é óbvio isso é um passo enorme que terá que ser muito bem calculado pelo Mário. Não há muito mais a dizer! 

Uma mensagem para os leitores do LBD?

Para os leitores  do LBD só uma mensagem, continuem fãs de BD!  Gostem do que gostarem há mercadoria para todos os géneros.

Obrigado Osvaldo, foi um prazer!

O prazer foi meu, grande abraço.






O Leituras de BD apoia o Anicomics


Boas leituras

Lançamento TailorMade Media: Playmobil, a tua revista #3



Vai sair mais uma revista Playmobil. E claro, para os fãs do coleccionismo traz mais um figura Playmobil original. O Hugo Silva já tinha feito a apresentação desta revista, podem seguir o link: Revista Playmobil

Em baixo têm a apresentação da revista feita pela editora TailorMade Media, e logo de seguida a informação sobre a revista.


Playmobil, a tua revista
(nas bancas a 10 de Abril de 2015)

Edição número 3, com um bonequinho exclusivo que as crianças vão querer ter na sua coleção!

A Playmobil é uma das mais reputadas marcas globais de brinquedos da história. Contando já com 40 anos de “vida”, é um autêntico sucesso de vendas. Celebrando essa data, a TailorMade Media lançou em Portugal em dezembro de 2014 a primeira “Playmobil, a tua revista”, uma publicação bimestral com conteúdos maioritariamente relacionados com os tradicionais “Comics” e um target entre os 4 - 10 anos.

A revista inclui ainda diversos passatempos, artigos de interesse lúdico e as crianças podem ainda habilitar-se a ganhar brinquedos fantásticos. De realçar que cada edição traz como brinde uma figura Playmobil original – um Cowboy – e exclusiva para distribuição com a revista (não é possível encontrar essa figura em outro local).

“Playmobil, a tua revista” tem como preço de capa de € 3,50 e é uma revista que agrada com certeza ao target infantil, mas que apela ao target dos colecionadores adultos da marca.

A edição número 3 da “Playmobil, a tua revista” chega já às bancas no dia 10 de Abril de 2015.

Temos a certeza que o seu filh@ vai adorar!




Boas leituras

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ilustração: Elektra por Ricardo Drumond



Ricardo Drumond é sem dúvida um grande ilustrador, esta Elektra está fabulástica!
Acho que não vale a pena dizer mais nada porque podem verificar isso na sua página no Facebook. Vão lá e espreitem, e ficarão espantados com a qualidade deste artista português.

https://www.facebook.com/drumondart

;)

Em baixo uma ilustração mais antiga com a Elektra e a Black Widow.




Boas leituras

domingo, 29 de março de 2015

Workshop de Escrita para Banda-Desenhada por Fernando Dordio


Fernandio Dordio preparou um workshop de escrita para Banda Desenhada. Para quem deseje saber como se passa da ideia de uma história para o argumento final e queira entrar no mundo da BD como argumentista tem aqui um workshop bem acessível para o mês de Abril.

Fiquem com toda a informação programática deste workshop:

Workshop de Escrita para Banda-Desenhada

Frase alusiva

"Este workshop procura dar um estímulo para a criação de histórias de Banda-Desenhada. Perceber como funcionam as histórias e como as preparar para o fantástico mundo da Banda-Desenhada é o objectivo principal.
Fernando Dordio, argumentista e colaborador da Kingpin Books partilha uma viagem que vai tornar este num Sábado diferente, cheio de debate de ideias, descoberta da escrita e naturalmente da própria BD."

Preço: 10 pranchas (10 EUR)

Formador: Fernando Dordio

Descrição: Este workshop procura dar um estimulo para a criação de histórias de Banda-Desenhada. Perceber como funcionam as histórias e como as preparar para o fantástico mundo da Banda-Desenhada é o objectivo principal.

Objectivos
Perder o medo de escrever e da folha em branco;
Aprender a extrair narrativas das ideias;
Construção de narrativas e personagens interessantes;
Aprender a utilizar o desenho da melhor forma para contar histórias;
Conhecer os diversos estilos de Banda-Desenhada;
Entrar no fascinante mundo da Banda-Desenhada com a perspectiva de autor;
Não temer desafios aliciantes;

A quem se destina
A todos os que pretenderem conhecer mais sobre o mundo da nona arte;
Aos que pretendem conhecer a arte de contar histórias;
Aos que pretendem dominar a sua criatividade e expressá-la em palavras e imagens;
Aos ilustradores que embora não fazendo Banda-Desenhada, possam ver as suas competências melhoradas por perceberem como as histórias funcionam junto do público;
A todos os que precisam de ganhar força para concretizar o seu sonho / livro;
A todos os que gostam de ler e que gostam de cinema. Porque não combinar as duas coisas?
A todos os que tenham a ideia que a Banda-Desenhada é uma coisa de crianças;
A quem decida ter um dia diferente, com debate de ideias e entusiasmo por romances, livros de Banda-Desenhada ou filmes.


10:30 – Apresentação
  • Lista de Histórias favoritas de cada formando, como base de exemplos para todo o workshop.

10:45 – Escrever nem sempre é fácil – é um ofício que pode ser aprendido, pensado e dominado
  • Escrita Criativa – dicas que poderão ajudar a desbloquear a página em branco;
  • Comparação entre histórias - Banda-Desenhada / Romance / Argumento de Cinema;
  • Comparação entre Antologia / One-shot / Mini Série / Ongoing / Romance Gráfico / Série para Web;
  • A ideia, o conceito e o pitch;
  • Tipos de história: estrutura de três actos, mini-plot e anti-plot;
  • As restrições de um livro de Banda-Desenhada (tamanho, “o virar de página”, etc);
  • Porque é que recuar por vezes é um passo em frente na criação de uma história?
  • A importância de uma sinopse completa e detalhada.

12:30 – Escrever a história (primeira parte):
  • Da ideia inicial, ao set up, as personagens, os seus defeitos e as suas motivações;
  • O momento do pode, deve e quer - The 'Coulda, Shoulda, Woulda' moment.

13:00 – Almoço

14:00 – Escrever a história (segunda parte):
  • Storytelling: As personagens – o que é que ela pretendem? Porque é que nos importamos com elas?
  • Storytelling: O conflito – protagonistas e antagonistas;
  • Storytelling: Manter o leitor interessado;
  • A arma de Chekov e como este principio é vital para a Banda-Desenhada;
  • Histórias secundárias (Subplots) e personagens secundárias;
  • A história é tudo o que podia ser? As alegrias de ver tudo em retrospectiva.



15:15 – Escrever o argumento - agora que se tem a história, o que devemos e não devemos fazer, ao torná-la num argumento:
  • Sinopse completa – o rascunho perfeito para Banda-Desenhada;
  • Breaking down: Cena a cena / Página a página;
  • Comparação: Full Script / Marvel Style;
  • A linguagem da Banda-Desenhada: a linguagem dos argumentos de banda-desenhada;
  • Tipos de vinheta / quantas vinhetas por página;
  • Escrever diálogos em Banda-Desenhada;
  • Show don't Tell;
  • Entrar tarde / sair cedo.

16:15 – Artista, formato, estilo de escrita: como determinar o mais adequado à nossa história
  • A arte na Banda-Desenhada: exemplo de com alguns autores incontornáveis;
  • Formatos e estilos de Banda-Desenhada
  1. Franco-belga;
  2. Americano;
  3. Japonês e outros.
  • Perceber o artista com quem se vai ou se pretende trabalhar. Valerá a pena escrever directamente para ele? Ou iremos escrever de forma genérica sem ninguém em mente?
  • Layouts de Páginas? Será necessário fazer os layouts das páginas para o ilustrador?
  • A natureza colaborativa da Banda-Desenhada como parte fundamental da criação de uma obra conseguida.

17:30– Debate
  • Discussão de ideias dos formandos;
  • Discussão de livros ou histórias – porque é que funcionam ou não;
  • Como publicar um livro ou tornar-se um profissional de Banda-Desenhada e viver disso;
  • A importância da paciência, da insistência e a Banda-Desenhada em Portugal.

18:30 – Final da sessão 




Formador: Fernando Dordio

Foi a paixão pelo cinema que o fez chegar ao fascínio por contar histórias. Pelo imaginário que construiu desde criança, a escrita para meios visuais foi aquela que o cativou imediatamente. Com o tempo, a paixão pela Banda-Desenhada fê-lo perceber que era o meio perfeito para contar as suas histórias, sempre muito influenciadas por um imaginário cinematográfico.
Em 2006, juntamente com o seu amigo Mário Freitas, fizeram a edição do livro C.A.O.S. e o SuperPig e o foram lançado no Festival de Banda-Desenhada da Amadora. Nasceu a Kingpin Comics que mais tarde se tornou na Kingpin Books, a editora de Banda-Desenhada a editar os melhores livros de Banda-Desenhada em Portugal e com sucessivas distinções nos prémios portugueses mais importantes.
Além de ter acompanhado a vida da Kingpin Books, de perto, nos seus quase 10 anos, publicou as seguintes obras, sempre editadas e legendados por Mário Freitas na Kingpin Books:

11-2006 – C.A.O.S. Livro 1 – Kingpin Comics
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Filipe Teixeira

05-2007 – C.A.O.S. Livro 2 – Kingpin Comics
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Filipe Teixeira

11-2007 – C.A.O.S. Livro 3 – Kingpin Comics
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Filipe Teixeira

11-2010 – Agentes do C.A.O.S. - Conspiração Ivanov – Kingpin Books
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Filipe Teixeira

Reedição num só volume dos três livros do C.A.O.S. - para esta versão foram criadas novas páginas para melhorar o pacing aspectos da narrativa e o Mário Freitas reeditou todo o livro, trabalhando os layouts das páginas, fazendo uma nova legendagem e alterando as cores. 

05-2011 – Agentes do C.A.O.S. - A Nova O.R.D.E.M. – Kingpin Books
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Osvaldo Medina

11-2014 – Antologia Crumbs – Segunda História Thunnels – Kingpin Books
Argumento: Fernando Dordio / Bernardo Majer

11-2014 – Inspector Franco: C.A.O.S. e O.R.D.E.M. – Kingpin Books
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Osvaldo Medina

Depois de esgotada a primeira edição de Agentes do C.A.O.S. - Nova O.R.D.E.M., surge a versão do editor. Sempre um eterno insatisfeito, o Mário Freitas procurou fazer uma versão deluxe do livro original, colocando o livro totalmente em tons de cinza e editando algumas páginas de modo a melhor a experiência do leitor. Naturalmente, todas estas alterações foram feitas sempre em colaboração com o argumentista.

Trabalhos em curso
??-2016 – Sequela da Roleta Nipónica – Kingpin Books

Livro de comemoração do décimo aniversário da Kingpin Books – história do SuperPig juntamente com o Inspector Franco.
Argumento: Mário Freitas e Fernando Dordio / Arte: Osvaldo Medina

??-2016 – Mindex – Kingpin Books
Policial de ficção cientifica hard-boiled.
Argumento: Fernando Dordio / Arte: Pedro Cruz

Para mais informações ver a página do Evento da Leituria no Facebook
https://www.facebook.com/events/422537514586309/

Alguma dúvida podem enviar um email para: fernando.d.campos@gmail.com

Boas leituras

sábado, 28 de março de 2015

Curso de Banda Desenhada



O Museu Bordalo Pinheiro vai ser a casa de um curso de banda Desenhada organizado por Penim Loureiro (autor do livro A Cidade Suspensa) , com a colaboração do João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa e ainda uma aparição especial (como anfitrião do Lisbon Studio) Nuno Lourenço Rodrigues. Irá decorrer de 11 Abril a 30 Maio.

Fica a informação oficial:

Curso de Banda Desenhada por Penim Loureiro
11 Abril a 30 Maio no Museu Bordalo Pinheiro

Indicado para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais acerca do fascinante universo da Banda Desenhada e pretendem fugir da trivialidade e das histórias estereotipadas. Para quem procura uma nova forma de libertar a criatividade e testar os seus próprios limites artísticos, para os que nunca tentaram a narrativa gráfica mas gostavam de experimentar algo inovador ou para os que até já se iniciaram nesta área, mas perderam o ânimo e agora gostariam de voltar.

Formação: Penim Loureiro | Artistas convidados: João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa.

Destinatários: Interessados em banda desenhada com mais de 16 anos

Início: 11 Abril| Horários: Sábados das 14h às 17h | Duração: 1º Módulo 4 dias + 2º Módulo 4 dias

Custo: Cada módulo 50 euros | Dois módulos (curso completo) 90 euros

Local: Museu Bordalo Pinheiro, Campo Grande, 382, Lisboa

Inscrições e informações: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt | tel. 218 170 671

Limites de inscrição: Mínimo 5 participantes - Máximo 20 participantes

Materiais: Cada aluno deverá levar canetas, marcadores ou lapiseiras com as quais se sintam confortáveis a
escrever e desenhar. Durante o curso os alunos irão trabalhar com materiais como tinta-da-china, guache,
aguarela, sobre papel A3, fornecidos pelo curso.

Apesar das aulas serem temáticas e haver uma sequência no programa, o curso está pensado de modo que cada sessão não está dependente da anterior; a sua participação é livre, permitindo aos alunos ensaiarem as matérias com que mais se identificam. No final será emitida declaração de frequência no curso.

PROGRAMA

1º MÓDULO 11 de Abril – 4 de Maio 2015
Objectivos: Aprender algumas técnicas básicas da Banda Desenhada. Enfrentar o medo de desenhar ou até mesmo esboçar BD. Descobrir como superar possíveis limitações no argumento ou no desenho.

  • DIA 11.04.2015: Pontos nos ii
Banda Desenhada, da arte à trivialidade.
Espaço gráfico. Vinheta (forma e conteúdo) Balões, rotulação e onomatopeias.
Composição e sequência: A página como unidade visual e continuidade gráfica entre páginas.
Artista convidado: João Mascarenhas (autor de BD e colunista, criador da personagem O Menino Triste)

  • DIA 18.04.2015: Picaresca viagem
Narrativa Visual. Articulação ideia/tema. Sinopse do argumento. Estrutura narrativa: guião, narrador e diálogos. Comunicação gráfica: universalidade e experimentação
Artista convidado: André Oliveira (escritor e argumentista multipremiado de livros de BD e cartoon)

  • DIA 23.04.2015: O Binóculo
Desenho do ambiente da acção. Registo e interpretação do espaço. Planos e perspectiva. Arquitectura e paisagem. Luz.
Artista convidado: desenhador/arquitecto a definir.

  • DIA 02.05.2015 A Berlinda
Visita ao atelier de BD, ilustração, animação: LisbonStudio
Artista convidado: (Guia/anfitrião da visita) Nuno Lourenço Rodrigues (jovem autor de BD).


MÓDULO II 9 de Maio – 30 de Maio 2015Objectivos: Estimular a criatividade através da linguagem da Banda Desenhada. Ganhar motivação para realizar projectos de narrativa gráfica dando ênfase ao estilo pessoal através da prática e da troca de experiências.

  • DIA 9.05.2015: O Calcanhar de Aquiles
Desenho das personagens: registo e acção narrativa. Princípios da percepção visual/táctil
Bases da figura humana. Expressão e dinâmica, Retrato emocional
Artistas convidados: Daniel Maia (autor de BD, artista na Dark Horse Comics) e Susana Resende (autora de BD e artista plástica multifacetada)

  • DIA 14.05.2015: O Besouro
Morfologia animal: dos peixes aos insetos. Máquinas zoomórficas, antropomórficas
Artista convidado: Lígia Sousa (Bióloga representante da nova geração de Ilustradores Científicos)

  • DIA 23.05.2015: A Paródia
Recursos: Cores e materiais. Suportes electrónicos. Impressão
Experimentação para todos
Artista convidada: Rosário Félix (artista plástica e urban skecher)

  • DIA 30.05.2015: Álbum de glórias
Dedicada inteiramente á criatividade dos participantes: produção de sequências narrativas que serão motivo de exposição no museu e da publicação de um fanzine. Balanço do curso


Boas leituras

sexta-feira, 27 de março de 2015

Beterraba: A vida numa colher



Saiu ontem “Beterraba: A vida numa colher”, obra de Miguel Rocha datada de 2003, na altura publicada pela Polvo.
A Levoir decidiu recuperar este romance gráfico rural para a sua colecção “Novela Gráfica” que está a sair com o jornal Público.
Percebo a escolha, insere-se perfeitamente dentro da linha seguida para esta colecção, e é de saudar a inclusão de um livro de um autor português.

Para o meu gosto não é um livro particularmente apelativo, embora eu lhe reconheça qualidade. É mesmo uma questão de gosto pessoal, aliás, os romances gráficos têm destas coisas, muitas vezes são bastante estilizados sendo a forma a adaptar-se ao máximo ao seu conteúdo, e aí o grafismo tende a conhecer formas mais arrojadas de interpretação da mensagem que o autor pretende transmitir.

Neste livro de Miguel Rocha é efectivamente a paleta de cores o que eu mais gosto. As cores quentes alentejanas estão muito presentes, são o grande pano de fundo deste livro, e não obedecem a contornos.O contraponto desta palete quente é mostrado no interior da casa, sempre escuro, mesmo durante o dia.
Esta ausência de contorno permite uma difusão cromática muito bela, e ao mesmo tempo torna secundários os pormenores, como por exemplos as faces das personagens, em favor do todo. É claro que aqui e ali há pormenores mais trabalhados, e que por isso mesmo saltam logo à vista nas situações que o autor o desejaria (penso eu).

Este romance fala-nos de um sentimento de "querer" a roçar a teimosia, fala-nos de sonhos de grandeza e mostra-nos o isolamento e a solidão em que um homem cai ao se alhear do mundo à sua volta, e mesmo proibir qualquer trespasse à cerca que construiu em volta da sua vida.
Mas a natureza é perversa e não faz a vontade a Olegário… um dos seus sonhos maiores era ter um filho. Assim nasce uma filha, outra filha, outra filha… e outra, outra…

Tudo é difícil para Olegário. Decidiu transformar um terreno baldio numa terra agrícola de sucesso! Fez a sua casa com pedra e areia, com as suas mão e o seu suor, aumentando-a sempre que necessário. Por acaso é uma das situações mais bem conseguidas para mim neste livro: o “castelo” de Olegário. Penso que vai reflectindo a vida dele durante todo o livro.
Mas a terra é agreste com ele. Não lhe dá o que ele quer! A natureza coloca-lhe pragas que ele com a sua força de vontade imensa tenta ultrapassar. E o filho que nunca mais chegava…

É também curiosa forma como Miguel Rocha trabalha o isolamento. Olegário vai tendo filhas, mas estas estão completamente isoladas do exterior! Olegário não permite que ninguém lhes ponha a vista em cima, sovando os jovens que se atrevem a espreitar se necessário. Assim elas crescem de uma maneira curiosa, estranhas por vezes na atitude e maneira de encarar a vida.

É um conto surreal, alucinado mesmo, passado em meados do século passado, em pleno período “Salazarista”. Na edição de 2004 do Festival Internacional de BD da Amadora ganhou os prémios de Melhor Álbum Português e Melhor Desenho de Autor Português.
Saltei por cima da boa informação enviada pela Levoir, assim as imagens, porque essa mesma informação está presente em vários blogues da especialidade. Assim, as imagens neste post também serão diferentes.


Outros livros de realce de Miguel Rocha:
  • Salazar: Agora e na Hora da sua Morte
  • Hans: o Cavalo Inteligente

Como curiosidade, o cartaz para o Euro 2004 de futebol foi da sua autoria!
:)


Hardcover
Criado por Miguel Rocha
Editado em Março de 2015 pela Levoir

Lançamento Goody: Superpato



Quem é que andava a pedir pelo Superpato?
Ele está aí em todas as bancas portuguesas!
:)

Disney Especial Superpato nas bancas!!!

O teu herói favorito tem uma edição dedicada inteiramente aos seus feitos e tu não a vais querer perder! Veste a tua melhor capa e põe a máscara para descobrires esta Disney Especial absolutamente fantástica! É que esta vai ser uma edição não só especial, mas também… Clássica! Sim, a seleção das histórias inclui alguns episódios históricos e marcantes na vida deste personagem tão amado! Qual é o fã ou leitor de BD Disney que nunca perguntou: “Como surgiu o Superpato? Qual foi a sua primeira aventura?” Pois bem… Essas perguntas terão aqui resposta, pois este volume vai incluir a primeiríssima aventura do Superpato!!!

O alter-ego do Donald surgiu para dar resposta às injustiças que este sofria na pele por parte do seu tio e de outros rivais, e nesta história, que conta a origem do herói, isso vai ser bem visível, à medida que o Donald for descobrindo a Villa Rosa e o segredo de Fantomius (o seu antecessor). Superpato, o vingador diabólico vai trazer justiça a um mundo que precisava deste herói! E se o nosso super-herói de eleição surgiu, em parte, para dar resposta à péssima atitude do Tio Patinhas, este último não vai desistir de fazer frente ao Superpato, depois deste surgir em cena.

Em Superpato e a ultrajante suspeita, o tio avarento vai tentar denegrir a imagem do herói, quando tenta “fabricar” uma notícia sensacionalista para que os seus jornais vendam mais. A ideia é dar a entender que o Superpato fez um mega-assalto. Só o nosso herói pode impedir que tal aconteça! Vai, Superpato!!! Mas vilões a sério são mesmo os Irmãos Metralha! Eles não perdem uma oportunidade para dar o golpe e quando eles percebem que, organizando uma corrida, isso servirá para afastar toda a gente da cidade de Patópolis, vão aproveitar para dar o maior golpe das suas vidas! Será que o Superpato o vai permitir?! Isso é o que vamos descobrir em Superpato e a corrida de fundo “furtiva”!

Estas e outras histórias “super” na tua nova Disney Especial!
Não percas!!!



























ÍNDICE
7 Superpato, o vingador diabólico
67 Superpato e a ultrajante suspeita
129 Superpato e o intrépido Senhor do Fogo
169 Superpato e a bússola parapsicológica
229 Superpato e o euro de um milhão
289 Superpato e a corrida de fundo “furtiva”
322 Superpato: A vida dupla de um super-herói – Perigos

Boas leituras

quinta-feira, 26 de março de 2015

A "Força" está com Star Wars... mais de um milhão de exemplares vendidos!?



Em Janeiro as vendas de revistas mostraram um novo campeão! A revista Star Wars #1 vendeu mais de 1 milhão de cópias deixando a concorrência completamente ultrapassada, e neste caso o segundo lugar da lista foi ocupado por Batman #38.

Este número de vendas é ainda mais impressionante se pensarmos que é o valor mais alto para uma única revista em 20 anos!

Outra curiosidade desta revista é que teve direito a pelo menos 68 capas variantes, para todos os gostos e feitios. Podem vê-las no link em baixo:
Star Wars #1 Variant Covers

Agora o que poderá ter contribuído para este hype? O retorno da marca Syar Wars à Marvel? O novo filme que se aproxima? Marketing agressivo por parte da Marvel?

Para já é um título que na realidade ainda não estou interessado pois parece-me que é um remake de aventuras já passadas, isto pelo que me deu a ver nos teasers que estão espalhados por essa internet fora.


QTY
RANK
DOLLAR
RANK
INDEX ITEM CODE DESCRIPTION PRICE VENDOR
1 1 894.46 NOV140709-M STAR WARS #1 $4.99 MAR
2 2 100.00 NOV140245-M BATMAN #38 $3.99 DC
3 3 95.67 OCT140832-M AMAZING SPIDER-MAN #12 $3.99 MAR
4 4 93.52 NOV140764-M AMAZING SPIDER-MAN #13 $3.99 MAR
5 7 67.90 NOV140703-M UNCANNY AVENGERS #1 $3.99 MAR
6 8 66.81 NOV140736-M WOLVERINES #1 $3.99 MAR
7 5 66.56 NOV140725-M ANT-MAN #1 $4.99 MAR
8 10 63.05 NOV140781-M THOR #4 $3.99 MAR
Janeiro de 2015





























Fontes:
Diamond
Comicbook.com

Boas leituras

sábado, 21 de março de 2015

Olhando para o Batmobile ao longo da sua história gráfica



Batman serve-se de inúmeros gadgets de alta tecnologia na sua luta contra o crime. Mas existe um que espalhou magia e provocou as mais diversas emoções ao longo do tempo!
O Batmobile.

O primeiro Batmobile digno desse nome  surge pela primeira vez em 1941 na revista Batman #5, e a primeira capa onde estrelou foi em Batman #20.

Cada autor ou desenhador que passou por Batman deu a este carro o seu cunho pessoal, de maneira que existem uma miríade de versões, embora umas mais radicais que outras, umas mais famosas que outras.

Para o sucesso do Batmobile também contribuiu muito o cinema devido à abrangência da 7ª Arte ser enorme! E no cinema estrelaram algumas das mais notáveis versões deste carro. Aliás, a minha versão preferida é mesmo uma que saiu para a televisão (em 1966 para um filme), e da qual eu tive em criança uma miniatura:
 O Batmobile de 1960!

Criado por George Barris a partir de um concept car da Ford, o Lincoln Futura, que custou apenas 1 Dólar (lol) fartou-se de dar problemas mecânicos durante a série devido à sua idade (era normal os pneus rebentarem durante as filmagens...). Devido a isso este designer automóvel substitui mais tarde este Lincoln Futura por um Ford Galaxie.

Para mim este foi o modelo Batmobile mais marcante de todos!

Lindo!

E o vosso, qual foi?
:)







Boas leituras

Lançamento Goody: Hiper-Disney #28



A Goody continua imparável nas publicações Disney! Apresento-vos o 28º número!
:)

HIPER #28

Queres saber qual o caminho para o divertimento? O Mickey ajuda-te! Ele é protagonista não só na capa mega-radical, mas também na primeira história da tua Hiper #28! Encontra o rumo da diversão em Lost & Found!!! E uma nova fase vai começar para o Superpato… Ele vai pôr tudo em causa, relembrar velhos episódios e no final… Bem o melhor é não nos adiantarmos para não te estragar a super-história que temos para ti!

Descobre tudo no episódio original Zero barra um!!! Se gostas de saber tudo sobre as origens dos teus personagens preferidos, a próxima história é para ti! Nunca te perguntaste como terá surgido a Tudinha na vida do Bafo-de-Onça? Pois bem, nós temos para ti a primeira história em que a Tudinha fez a sua aparição na BD Disney!

Mickey e o colar Chirikawa é também, por si só, uma aventura muito emocionante! E por falar em aventuras emocionantes… Haverá histórias com mais emoção e ação do que aquelas protagonizadas por verdadeiros piratas? As histórias da Baía – O ouro do gavião tem todos os ingredientes para ser mais um episódio de sucesso nesta série, onde abundam os heróis do mar!

Hiper é BD ao quadrado!!!

ÍNDICE
05 LOST & FOUND
69 ZERO BARRA UM
131 MICKEY e o colar Chirikawa
190 DONALD e a entrevista volante
217 A CHEGADA DA PATA LEE
257 AS HISTÓRIAS DA BAÍA – O ouro do Gavião
293 URTIGÃO – De estudante a professor






























Boas leituras

quinta-feira, 19 de março de 2015

Foi assim a Guerra das Trincheiras



Saiu hoje nas tabacarias e quiosques uma obra visceral e poderosa.
Vou passar por cima da nota de imprensa da Levoir e das imagens disponibilizadas oficialmente, passando directamente para um artigo (review, crítica... o que lhe quiserem chamar) sobre este livro onde a raiva, o sofrimento e a injustiça, são retratados por este virtuoso artista francês.

Jacques Tardi é um grande autor, conhecido em Portugal sobretudo pela sempre inacabada série Adèle Blanc-Sec. Mas na realidade ele é um profícuo autor com muitos livros publicados, sente-se como um peixe na água dentro do "preto & branco", e odeia a guerra. Aliás, a guerra é o fulcro de muitos dos seus livros mais famosos como Adieu Brindavoine, Le trou d'obus e Putain de Guerre para além deste livro publicado agora pela Levoir (uma bela edição, diga-se).

Graduou-se nas escolas de arte École nationale des Beaux-Arts em Lyon e na École nationale supérieure des arts décoratifs de Paris, começando a dedicar-se à BD em 1969 na célebre revista Pilote. Trabalhou em várias adaptações para a BD nesta altura antes de se dedicar à ficção.
Mas é o seu trauma em relação à 1ª Grande Guerra que vai estar em foco aqui com este seu "Foi assim a Guerra das Trincheiras".

Qualquer guerra é horrível. Ponto. Mas esta guerra, chamada 1ª Guerra Mundial, foi das mais horrorosas, em parte devido a ainda ser em feita de acordo com cânones mais antigos, mas misturados com invenções modernas. Esta mistura de tácticas antigas e transição para armas e métodos experimentais contribuiu para que fosse considerada como uma das mais bárbaras e negras guerras que já existiu.

"Os Homens são como ovelhas, o que torna possível os exércitos e as guerras.
Morrem vítimas da sua docilidade"
Gabriel Chevalier

O que torna chocantes as páginas deste livro é a facilidade com que Tardi transmite graficamente o horror, as histórias macabras, a injustiça, o sentimento anestesiado e a falta de vontade para viver.
Quase todo o discurso neste livro é indirecto, são contos. São poucos os balões de fala.

Tardi convida-nos a segui-lo passeando através de horrores inimagináveis, que deveriam ser a excepção, mas aqui são o quotidiano de merda dos soldados que povoavam as trincheiras em território francês. Os contos são quase hipnóticos numa mistura de desespero e tragédia desumana. É impossível acabar de ler este livro e no final sentir indiferença. É um livro que puxa pelas emoções. É um verdadeiro romance gráfico de alta qualidade!

"O que interessa a Tardi, é mostrar o absurdo de um conflito e a confusão dos pobres coitados arrastados nesta máquina que os tritura sem perdão. Tardi fala da guerra, de todas as guerras. Com a angústia de a ver regressar um dia, em toda a sua loucura assassina."
- Gilbert Jacques

A sua mestria no preto e branco ainda aumenta mais a pressão emocional sobre o leitor, para mim Tardi tem aqui a sua "obra-prima". Gostaria que prestassem atenção aos segundos planos das vinhetas, são assombrosos de detalhe muitas vezes bastante mais detalhados que a figura humana de primeiro plano, quase sempre mostrada como um farrapo.

Obrigado à Levoir por publicar este livro em português. Um livro essencial para quem gosta desta arte: a BD!
Indispensável.

Esta obra venceu dois Prémios Eisner, como Melhor Obra inspirada na Realidade e Melhor Álbum Estrangeiro.Também foi galardoada com o Grande Prémio da Cidade de Angoulême, em 1985.

Hardcover
Criado por: Jacques Tardi
Editado em Março de 2015 pela Levoir

quarta-feira, 18 de março de 2015

Joker: 75 Anos, e... a capa que não saiu em Batgirl #41

A capa cancelada de Batgirl #41

O Joker (Coringa) vai fazer 75 anos e a DC vai comemorar a data. Foi criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane em 25 de Abril de 1940 aparecendo pela primeira vez na revista Batman #1.

O Joker para mim é simplesmente o melhor vilão de sempre criado nos comics de super-heróis. Por norma "agarrado" ao universo do Batman, ele não tem super-poderes... é apenas um mega-louco psicótico, super inteligente e sociopata em último grau. Sim, o Joker mete medo, e tem histórias bem escuras plenas de maldade pura e insanidade para além do que estamos à espera!

Passou por muitas fases, umas mais psicóticas que outras e isso leva-me a uma das melhores histórias do Batman onde ele é o vilão de serviço: Batman: The Killing Joke (Piada Mortal) de Alan Moore e Brian Bolland (1988). Foi uma obra-prima.

Então a DC Comics resolve comemorar este momento importante com várias dezenas de capas variantes que irão sair em Junho.
Até aqui tudo bem, mas isto estraga tudo:

My Batgirl variant cover artwork was designed to pay homage to a comic that I really admire, and I know is a favorite of many readers. 'The Killing Joke' is part of Batgirl’s canon and artistically, I couldn't avoid portraying the traumatic relationship between Barbara Gordon and the Joker.
For me, it was just a creepy cover that brought up something from the character’s past that I was able to interpret artistically. But it has become clear, that for others, it touched a very important nerve. I respect these opinions and, despite whether the discussion is right or wrong, no opinion should be discredited.

My intention was never to hurt or upset anyone through my art. For that reason, I have recommended to DC that the variant cover be pulled. I'm incredibly pleased that DC Comics is listening to my concerns and will not be publishing the cover art in June as previously announced.

With all due respect,

Rafa

Pressões em cima deste artista que admiro, Rafael Albuquerque, que acaba por ser ele próprio a pedir para a sua excelente capa variante não saia como estava programado. Tudo em nome do politicamente correcto! Que barbaridade...


Nada nesta capa da Batgirl #41 faz supor que exista crime sexual, aliás em Killing Joke presume-se que Barbara Gordon é violada, mas nada nos diz que o foi comprovadamente, foram encontrados nus (Barbara e o pai) mas pode ter sido apenas humilhação por parte do Joker, não que tivessem sido factualmente violados. De qualquer modo... e se foram? E mesmo que o tivessem sido, querem apagar referencias a histórias marcantes do passado?
Sim, esta capa seria uma homenagem a uma das melhores histórias do Batman vs Joker! E querem esconder este passado magnífico em prol do politicamente correcto?

We live in a world of pussies
Anónimo

Para mim esta frase diz tudo...

Que pena. Esta capa está excelente! (E é só uma capa variante!)
:(





Boas leituras