sábado, 18 de abril de 2015

Capas WTF: Batman #133








Esta magnífica capa ilustra a história Batwoman's Publicity Agent.
A revista foi publicada em 1960 de propósito para eu me rir hoje! :D
Foi desenhada por Sheldon Moldoff, que de resto é o desenhador de todas as histórias desta revista, escritas por Bill Finger.

As histórias são:
  • Crimes of the Kite Man
  • The Voyage of the S.S. Batman
  • Batwoman's Publicity Agent

Diversão garantida numa revista que numa única história consegue meter Batman, Bat-Hound, Batwoman e Bat-mite, para que os Bat-leitores possam mandar umas Bat-gargalhadas!




































Boas leituras

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Spider-Woman de Milo Manara: A paródia completa por Frank Cho e Cª!



O que é que a Spider-Woman, Milo Manara, Frank Cho, Darth Vader e Stan Lee têm em comum?
Todos fazem parte a mal ou a bem de uma das maiores paródias nos comics dos EUA!

E porquê?
Porque a capa original de Milo Manara, que nem sequer estava grande coisa para os standards deste desenhador provocou a fúria de uma parte da sociedade norte-americana devido à pose da personagem Spider-Woman.

Nem sequer vou aqui comentar essa celeuma que fez correr montes de tinta e que acabou com o cancelamento da dita capa.
Frank Cho sempre teve sentido de humor, e sempre gostou de desenhar as suas mulheres. Acabou por fazer um com a dita Spider-Woman na mesma posição em que Manara a colocou, mas ao jeito dele. Deu um pouco de confusão mas nada de especial.

É sabido que Frank Cho para desanuviar nos seus tempos livres em que não está a desenhar para ganhar dinheiro gosta de fazer sketchs cómicos para sua diversão, e coloca-os no seu blogue "Frank Cho's Apes and Babes".
Ora num deles resolveu brincar com a Spider-Gwen (seja lá isso o que for) desenhada por Robbi Rodriguez na pose "Milo Manara".

As reacções foram absurdas, inclusivamente com Robbi Rodrigues a ser muito muito áspero (para não dizer outra coisa) e o site feminista "The Mary Sue" a cair-lhe em cima à bruta.
A resposta não veio com palavras mas sim com novo sketch, desta vez com a Harley Quinn!

De seguida alguém importante no meio (não sei quem) resolveu dizer que depois disto ele se deveria retirar dos comics mainstream! Cho respondeu com a Wonder Woman...

Para além disto, outros desenhadores mostraram a seu apoio ao colega, como Liefeld e Campbell em palavras escritas, sendo que na minha opinião o mais equilibrado de todos foi Bill Sienkiewicz. Outros resolveram apanhar o comboio dos sketchs fazendo outras versões hilariantes como Stan Lee ou Darth Vader!

Apenas posso responder à pergunta "quando é que Cho vai parar?" dizendo, que só pára quando deixaram de o chatear (ou como ele diz numa capa, quando a internet explodir)! E tenho a certeza que Manara se deve estar a rebolar a rir em Itália... :D






















































Por favor, sentido de humor é preciso! E Frank Cho nos seus momentos livres pode desenhar os sketchs que quiser e bem lhe apetecer, são coisas particulares dele.
Divirtam-se!

Boas leituras

quinta-feira, 16 de abril de 2015

XI Festival Internacional de BD de Beja (FIBDB): Apresentação



O excelente festival de Banda Desenhada de Beja arranca já no final do mês de Maio.
Olhando rapidamente para o programa percebe-se que desta vez os Comics infelizmente não ficaram representados e os artistas internacionais dividem-se entre brasileiros e europeus.
Os portugueses, claro, estão sempre representados em bom número... :)
A Polónia em Vinhetas

Olhando para os autores internacionais os três mais interessantes dentro dos meus conhecimentos são Ted Benoit , Spacca e para mim "aquele que gosto mais de todos": Yslaire!
Então vamos lá à informação fornecida pela organização do meu festival de BD preferido em Portugal:

XI FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA
DE BEJA

Entre os dias 29 de Maio e 14 de Junho, Beja volta a ser o palco de uma grande Festa em torno da banda desenhada!

Exposições, autógrafos, apresentação de projectos, lançamento de livros, workshops, concertos desenhados, cinema e várias conversas à volta da BD… São muitos os motivos para marcar presença!

O Festival terá também à disposição dos visitantes o Mercado do Livro (a maior livraria do país durante esse período) e o Mercado Geek (um amplo espaço comercial com várias tendas instaladas - venda de action figures, arte original, jogos, posters, prints, etc.).

O primeiro fim-de-semana (29, 30 e 31 de Maio) contará com a presença de autores de todo o Mundo! E com a programação paralela a acabar às 4h30 da manhã! Um Festival sem sono que atrai milhares de visitantes todos os anos…

O Festival inaugura sexta-feira, dia 29, às 21h00, na Casa da Cultura. Pode ser acompanhado em www.facebook.com/bedetecabeja

Altar Mutante


AS EXPOSIÇÕES

CASA DA CULTURA

A POLÓNIA EM VINHETAS – Polónia
ALTAR MUTANTE – Espanha
ANDRÉ PACHECO – Portugal
ANDRÉ PEREIRA – Portugal
IMPROVISOS NA TOALHA DE MESA – Portugal
LUÍS LOURO – Portugal
MANUEL MORGADO – Portugal
MARCELLO QUINTANILHA – Brasil
O ESPIRRO DO DRAGÃO – Portugal
SPACCA – Brasil
STANISLAS – França
TED BENOIT – França
VOLTA: O SEGREDO DO VALE DAS SOMBRAS – Portugal
YSLAIRE – Bélgica

MUSEU REGIONAL DE BEJA
CAFÉ ESPACIAL À QUINTA – Brasil

NÚCLEO EXPOSITIVO DO MUSEU REGIONAL DE BEJA – RUA DOS INFANTES
CARLOS BAPTISTA MENDES – Portugal

TEATRO MUNICIPAL PAX JULIA
TMNT PORTUGAL TRIBUTE – Portugal

MOSTRA NA BEDETECA
André Pacheco
A VIAGEM DO ELEFANTE, DE JOÃO AMARAL, SOBRE O LIVRO DE JOSÉ SARAMAGO – Portugal



OS HORÁRIOS DO PRIMEIRO FIM-DE-SEMANA
NA CASA DA CULTURA

Dia 29, sexta-feira, das 21h00 às 4h30 da manhã
Abertura das Exposições
Mercado do Livro
Mercado Geek
Tasquinhas
Concertos Desenhados, a partir das 22h00
Cinema na Bedeteca

Dia 30, Sábado, das 10h00 às 4h30 da manhã
Exposições
Mercado do Livro
Mercado Geek
Tasquinhas
Apresentação de projectos e lançamento de livros
Conversas com autores
Workshops
Sessões de autógrafos
Concertos Desenhados, a partir das 22h00
Cinema na Bedeteca

Dia 31, Domingo, das 10h00 às 20h00
Exposições
André Pereira
Mercado do Livro
Mercado Geek
Tasquinhas
Apresentação de projectos
Conversas com autores
Workshops

Em breve, toda a Programação Paralela ao minuto!


ALGUNS DESTAQUES

TINTIN NA ROMÉNIA – CONVERSA COM DODO NITA
Sábado dia 30, na Bedeteca (Casa da Cultura). Dodo Nita, um dos maiores especialistas mundiais na obra de Hergé, à conversa com Pedro Mota.

PRÉMIO GERALDES LINO 2015 – ANDRÉ PACHECO
Sábado dia 30, na Bedeteca de Beja (Casa da Cultura). Depois de André Ferreira, em 2013, e José Smith Vargas, em 2014, é a vez de André Pacheco surpreender todos com o seu trabalho.

NOITES DE TERROR! – CINEMA A HORAS IMPRÓPRIAS
Sexta-feira dia 29 e Sábado dia 30, na Bedeteca (Casa da Cultura), das 3h00 às 4h30, com intervalo para cear.

MERCADO DO LIVRO / MERCADO GEEK / TENDA DO MODELISMO / TASQUINHAS



COMO VIR, ONDE COMER E ONDE FICAR

Improvisos na Toalha de Mesa
INAUGURAÇÃO
O Festival inaugura dia 29, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura.
Como costuma acontecer, o primeiro fim-de-semana (de 29 de Maio, sexta, a 31 de Maio, domingo) reúne todos os autores das exposições e uma vasta programação paralela.

ONDE ALMOÇAR E JANTAR, NOS DIAS 29, 30 E 31?
Para almoçar a e jantar basta aparecer nas Tasquinhas da BD, situadas junto à entrada da Casa da Cultura. As Tasquinhas estarão abertas no dia 29, sexta-feira, a partir das 21h00, e nos dias 30 e 31, a partir das 12h00. Servirão comida típica e vegetariana e também alguns petiscos. Encerram às 3h00 da manhã, nos dias 29 e 30.

ONDE FICAR?
O Parque de Campismo da Câmara Municipal de Beja será gratuito (basta informar o Festival através do 969 660 234). Haverá ainda muitos quartos disponíveis em várias hospedarias, hotéis e pousadas:

Hospedarias
Hospedaria D. Maria – 284 327 602
Hospedaria Rosa do Campo – 284 323 578
Luís Louro
Hospedaria Santa Maria – 284 326 454

Hostels
Hostel Frei Manuel do Cenáculo – 961934618
Hostel Pax Julia – 284 322 575

Hotéis
Hotel BejaParque – 284 310 500
Hotel Bejense – 284 311 570
Hotel Francis – 284 315 500
Hotel Melius – 284 313 080
Hotel Santa Bárbara – 284 312 280

Pousadas
Pousada da Juventude – 284 325 239
Pousada de S. Francisco – 284 313 580

Outros alojamentos
Jantar em Obras – 938228268

Nos arredores da cidade
Herdade dos Grous – 284 960 000
Herdade da Malhadinha Nova – 284 965 432
Herdade do Vau – 226 199 800
Hotel Rural Vila Galé Clube de Campo – 284 970 100
Monte da Corte Ligeira – 284 947 216
Monte da Diabrória – 284 998 177

Manuel Morgado
COMO VIR?
Para vir ao Festival todos os transportes são bons. Mas o ideal é vir de comboio ou de expresso.
Para os horários dos comboios ou dos expressos basta consultar os sites www.cp.pt ou www.rede-expressos.pt (a gare dos expressos fica mesmo ao pé da Casa da Cultura). Há vários horários à escolha. Há também um enorme Parque de Estacionamento, junto à Casa da Cultura, para quem quiser vir de automóvel.



Organização: Câmara Municipal de Beja / Bedeteca de Beja
Apoio: Turismo do Alentejo
Parcerias: Associação Para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja / Museu Regional de Beja / ZARCOS – Associação de Músicos de Beja / Cooperativa Cultural Alentejana / Clube de Modelismo da Escola Mário Beirão
Apoio à Divulgação: Correio da Manhã / Diário do Alentejo / Rádio Voz da Planície / Rádio Pax / CMTV / tvL / A Garagem / aCalopsia / Aldeagar / As Leituras do Pedro / associação de ideias / Bandas / bd / Beja & Arrabaldes / Central Comics / Divulgando Banda Desenhada / Kuentro / Leituras de BD / notas bedéfilas / Sr. Gajo





Marcello Quintanilha
O Espirro do Dragão (Aida Teixeira e Carlos Rocha)

























Spacca
Stanislas

























Ted Benoit
Yslaire

























Café Espacial à Quinta (Desenho de Fábio Lyra)
Carlos Baptista Mendes

























TMNT Portugal Tribute (Desenho de Jo Bonito)
A Viagem do Elefante (João Amaral)

























Volta - O Segredo do vale das Sombras



O Leituras de BD apoia o Festival Internacional de BD de Beja

Boas leituras

Lançamento Levoir: Colecção Novela Gráfica - Em Busca de Peter Pan



Mais um livro que eu não conheço, e que tanto possui reconhecimento crítico como reconhecimento comercial. Cosey é um autor que já foi referido aqui no LBD relativamente à série de Derib, Buddy Longway.

Fiquem com o texto de apresentação da editora e algumas páginas do livro:

EM BUSCA DE PETER PAN - Cosey

Sir Melvin Woodworth, um escritor inglês, parte para os Alpes em busca de inspiração para o seu novo romance, e também das memórias do seu irmão Dragan, um pianista desaparecido naquelas montanhas anos antes. Mas, no cenário imponente dos Alpes suíços, por entre contrabandistas, misteriosas personagens que assombram as aldeias abandonadas e a sombra de uma catástrofe à beira de acontecer, Melvin vai fazer uma descoberta que vai afectar de forma profunda a sua vida. Uma viagem ao passado, pontuada por citações do Peter Pan de James M. Barrie, em que a paisagem da montanha, que Cosey retrata como ninguém, se assume como uma personagem de pleno direito.

Nascido em 1950, perto de Lausanne, na Suíça, Bernard Cosandey, que os leitores conhecem como Cosey, é um dos grandes nomes da BD franco-belga, e estreou-se na banda desenhada no início dos anos 70, pela mão do seu compatriota Derib, o criador de Yakary e Buddy Longway.

Neste livro, Cosey troca temporariamente as montanhas do Tibete onde decorrem as aventuras de Jonathan, pelos Alpes suíços, que se revelam o cenário ideal desta aventura de grande poesia e sensibilidade. Livro pioneiro, um dos primeiros no mercado franco-belga que foi pensado como uma história completa, fechada, em dois volumes - o que foi confirmado com o lançamento da versão integral pouco depois da saída da segunda parte desta história - que permitiu ao seu autor fugir ao limite das 48 páginas do álbum tradicional, Em Busca de Peter Pan, representa um decisivo passo em frente no percurso de Cosey como criador.


Como o próprio refere, Em Busca de Peter Pan foi “o meu primeiro one-shot, feito por volta de 1985, para a colecção Histoires et Légendes da Lombard. Na altura, estava profundamente empenhado na série Jonathan, que conhecia grande sucesso. Os álbuns vendiam-se cada vez mais, mas sentia vontade de sair por algum tempo daquela rotina. Há muito tempo que queria fazer uma história que se passasse nos Alpes valesianos, que conheço muito bem. O meu editor estava um pouco receoso e disse-me: o Tibete pode interessar a muita gente. Mas uma história nos Alpes valesianos, só vai interessar a uns poucos suíços… Mas na editora perceberam que eu tinha necessidade dessa mudança, embora não estivessem à espera que o livro vendesse tão bem, ou até melhor, do que o Jonathan. E sobretudo, Em Busca de Peter Pan é um livro que teve, e tem, uma longa vida.”

Publicado inicialmente em dois volumes, Em Busca de Peter Pan juntou o sucesso comercial ao reconhecimento crítico, traduzido no Prémio do Público na Convention de la Bande Dessinée de Paris, em 1984 e no Grand Prix da cidade de Sierre em 1985. Mais tarde o livro foi publicado num único volume e integrado na colecção Signé, a linha de prestígio da Lombard, E, confirmando essa longa vida que é a marca dos clássicos, Em Busca de Peter Pan chega finalmente a Portugal, dando a conhecer aos leitores nacionais, tanto aos que sonharam ao lado de Jonathan, como os que estão agora a descobrir o trabalho de Cosey pela primeira vez, a obra mais emblemática do autor suíço e a sua primeira novela gráfica.

"É possível fazer em banda desenhada coisas que têm um valor igual ao de um grande romance, como as que fez Cosey, que consegue exprimir sentimentos de profundidade e delicadeza semelhantes aos que se encontram na melhor literatura."
- Franquin, criador de Spirou, Gaston Lagaffe e Marsupilami






















































Em Busca de Peter Pan - de Cosey
Formato: 23 x 30cm, 
Capa dura,
140 páginas a cores.


Boas leituras

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lançamento Goody: Revista Cartoon Network #1


O popular canal de TV por cabo para crianças Cartoon Network, pertencente à Turner Broadcasting System, foi criando desde o seu nascimento oficial em 1992 um público sempre crescente, que se cifra agora à volta dos 96 milhões de assinantes do canal. Neste momento pertence a uma divisão da Time Warner.

Mas o desenvolvimento deste canal de animação infanto-juvenil começou mais cedo com a aquisição de:
  • Looney Tunes / Merrie Melodies
  • Harman-Ising Merrie Melodies
  • Fleischer Studios / Famous Studios Popeye
  • Hanna-Barbera Productions
Com tudo isto vieram Popeye, Droopy, Tom & Jerry, Looney Tunes, e claro... mais tarde Scooby-Doo, The Real Adventures of Jonny Quest, Cartoon Planet, SWAT Kats: The Radical Squadron e 2 Stupid Dogs.

A primeira série inteiramente produzida por este canal foi Space Ghost Coast to Coast. Depois disto Dexter's Laboratory foi um sucesso, e a CN apresentou ainda ao seu público Johnny Bravo, Cow and Chicken e as Powerpuff Girls.
Mais tarde com a fusão na Time Warner surgiu Justice League.

Hoje temos um bom pacote deste canal que apresenta ao seu público Tower Prep, Green Lantern, Dragons: Riders of Berk, The Amazing World of Gumball, Total Drama: Revenge of the Island, ThunderCats, Ninjago: Masters of Spinjitzu e Ben 10: Omniverse!
E a Goody prepara-se para publicar em Portugal e em português a revista deste popular canal!

Tenho de fazer uma vénia à Goody pela "teimosia" em publicar para crianças e jovens mais novos. A sério. É difícil num país como o nosso ter coragem para enfrentar o alheamento e o desinteresse por tudo o que não seja de rápido consumo e de preferência sem muito trabalho. Por norma é isso que os pais compram para os filhos para os manter quietos e calados da maneira mais fácil. Qualquer coisa que seja apresentada numa plataforma que dê um pouco mais de trabalho não serve... (desculpem o desabafo).

Passemos à revista. Fiquem com a apresentação desta por parte da Goody, e algumas imagens:


A REVISTA OFICIAL CARTOON NETWORK CHEGOU A PORTUGAL




A Goody lançou este mês a Revista Oficial Cartoon Network.

A revista das séries mais divertidas do canal, totalmente dedicada ao público jovem entre os 4 e os 10 anos, traz todas as novidades, entrevistas às personagens, histórias super divertidas, actividades e desafios incríveis. Inclui também um jogo de tabuleiro, um poster e um brinde diferente todos os meses.

Hora de Aventuras, O Incrível Mundo de Gumball ou Regular Show, são algumas das séries de referência nesta edição de lançamento.

Com a periodicidade mensal, tem um total de 32 páginas, o formato de 21 cm x 28 cm e é lançada com uma tiragem inicial de 15.000 exemplares com o preço de capa de 4,90€.

A campanha de comunicação inclui spot de TV no Cartoon Network, o canal que duplicou nos últimos doze meses o share no segmento infanto-juvenil.



























Parabéns à Goody por mais este seu produto!
:)

Boas leituras

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lone Wolf and Cub: Parte II - Obra



A primeira  parte deste artigo sobre a obra Lone Wolf and the Cub está neste link:
Lone Wolf and Cub: Parte I - Introdução

Aqui, em Portugal, comecei a seguir a obra Lone Wolf and Cub através da edição importada da Dark Horse, dividida em 28 volumes, 142 capítulos, de uma violência que se sublima num trabalho de rara mestria, tanto artístico quanto poético. O formato de livro, parecido com o formato japonês, tinha uns meros 15mm x 10mm e, para quem, como eu, que estava habituado à escala do formato europeu, ou do formato dos comics americanos, confesso «custava-me a leitura». No entanto, não me impediu de ficar fascinado.



























A verdade é que a primeira edição de Lone Wolf and Cub data de 1970 no Japão e, de lá para cá, a obra tem-se mantido assim, imune à desvalorização que o tempo opera, por vezes, sobre determinados trabalhos (daí dizerem-se "datados"), Lone Wolf and Cub não é "datado". Aliás, não me resta a mínima dúvida, Lone Wolf and Cub ganhou um pedaço de imortalidade, característica comum às grandes peças de arte.

Nos Estados Unidos, a primeira edição traduzida para a língua inglesa dá-se pelas mãos da First Comics, que o publicava em pequenos volumes que continham entre 64 a 128 páginas, a arte das capas foi sendo feita por artistas americanos, de maior ou menor renome: Frank Miller; Bill Sienkiewicz; Matt Wagner; Mike Ploog; e Ray Lago. Ora, com o encerramento da First Comics, Lone Wolf and Cub ficava por ser editado na totalidade, pelo que, a Dark Horse, veio recuperar (no formato que me chegou mais tarde às minhas mãos) e concluir o trabalho de edição da obra: o 28º volume seria lançado a Dezembro de 2002.

A obra consegue sobreviver por si só, capítulo a capítulo, como sendo uma história única, um episódio, ou então, como um todo coerente, a trama. Quer dizer, se eu pegar num volume ao acaso, em nada se perde começar a ler um capítulo qualquer «nem que seja, para abrir o apetite». Para quem não conhece a obra, aconselho a fazer isso mesmo. Há determinados aspectos no tema e na arte que devem ser realçados aqui, em Lone Wolf and Cub, na minha opinião são, fundamentalmente, três: a violência; a sexualidade; e a espiritualidade. Sigo com uma breve reflexão sobre os mesmos. Começo pelo primeiro.

Da violência. O aspecto que, porventura, primeiro nos capta a atenção são as suas sequências gráficas de uma violência quase soberba, quase bela: um fenómeno inquietante. Lone Wolf (pai) calcorreia as estradas da Japão feudal imaginada, no período Edo, transportando num carrinho de mão Cub (o filho). Nele se apregoa, escrito numa bandeira "son for hire, sword for hire, suiō school, Ittō Ogami" ou seja "aluga-se filho, aluga-se espada, escola suiō, Ittō Ogami". E essa imagem, que abre a obra (Vol.1 Cap.1), assim como a imagem final, que é a da dupla que, passada a provação (decorrente do ofício que é a do assassino a contrato) segue em direcção ao sol poente, fica-nos na memória: quase que parece uma versão mais séria de um Lucky Luke de Morris. Há, sim, algures, um paralelismo entre a Japão feudal e o faroeste americano que vos deixo à imaginação.

As sequências de batalha são quase cinematográficas: tão bem nos descreve o desenho que quase as conseguimos visualizar. O resultado vai sendo, invariavelmente, o mesmo, os protagonistas saem vencedores, mais ou menos incólumes. Ogami Ittō (Lone Wolf) é um homem com uma missão (de vingança), e ao percorrer esse caminho, o caminho do assassino, vai deixando um rasto de destruição, e de mortos, atrás de si e do seu filho. Depois, vai-nos sendo apresentada toda uma parafernália de armas, técnicas e estratégias, em situações únicas de combate, movimentos fluidos e graciosos, e muito sangue.

A espada de Ogami Ittō, a dotanuki, é uma arma pesada e robusta do género da katana (curva e com, aproximadamente, 60cm de comprimento) e é inspirada, possivelmente, numa conhecida escola de mestres ferreiros da altura. Mas, a verdade, é que ao longo da série os autores não se coíbem de explorar a eficácia de outro género de armas que não somente a tradicional espada. É o caso das armas de fogo (Vol.5 Cap.28) introduzidas pelos portugueses no Japão, ou vários outros tipos de lanças, ou outras formas mais ou menos criativas de armas, algumas mesmo inspiradas em ferramentas agrícolas.

É-nos apresentada a técnica ex-líbris do protagonista "o golpe suiō, talhar a onda", em "O caminho branco por entre os rios" (Vol.3 Cap.17) aí, Bizen, um dos descendentes de Yagiū Retsudō (arqui-inimigo de Ogami Ittō), é derrotado, morre. Ou, a técnica de supressão das emoções "as cinco rodas dos Yagiū", técnica que se acaba por revelar, para o utilizador, mais que tudo, como «as cinco rodas do sofrimento» (Vol.15 Cap.76). E, por fim, tendo em vista atingir os fins propostos (contrato de assassino), Ogami Ittō usa-se de estratégias de combate baseadas, por exemplo, na "Arte da guerra" de Sun Tzu, para derrotar o adversário, como o é em "O soldado é o castelo" (Vol.6 Cap.32).

Antes de terminar este ponto queria apenas deixar um texto que me reflecte o espanto, no lirismo que se associa à violência em Lone Wolf and Cub, em "A flauta do tigre caído" (Vol.3 Cap.15), na hora da sua morte um dos irmãos Bentenrai: "O meu pescoço... Soa... Como um assobio / Digno do carrasco do Shōgun... O meu sangue jorra... Do corte diagonal no pescoço / Como o vento de encontro às árvores nuas / Chamam-lhe... Mogaribue... Flauta do tigre caído... Sonhei ser capaz de fazer um corte que cantasse / E agora... Ouço-o em mim... Irónico..."

Da sexualidade. Aviso à navegação, em Lone Wolf and Cub há pouco pudor pelo que se aconselha, à boa maneira americana "viewer discretion". E o pudor que há, é um pudor bem sensível e compreensível, o pai resguarda sempre o filho a assistir a cenas menos apropriadas. E essas cenas, mais ou menos sugeridas, em certas ocasiões, conseguem atingir um grau bem elevado de gore.

Esse à vontade com a sexualidade reflecte-se numa constatação bem simples: na história, tanto há homens como há mulheres; e são diferentes, sim, têm formas distintas de agir ou de se representar, papeis diferenciados mas, ambos, são tratados com respeito, tanto nas suas vertentes "más" como nas suas vertentes "boas".

Kazuo Koike, argumentista, mostra-se exímio na arte de representar tanto a persona masculina quanto a feminina, por vezes é ela que está em primeiro plano, como em "a pousada do último crisântemo" (Vol.7 Cap.37) uma mulher aguarda pacientemente o dia da sua vingança enquanto trabalha numa pousada. Esta facilidade com que o argumentista tem em desenvolver as personagens de forma a torná-las única (nos seus modos de pensar, agir e ser), como todos nós somos, é também um dos pontos críticos a favor da genialidade da obra.
























 


Essa capacidade de surpreender, de trabalhar outras profundidades à alma dos personagens, é levada ao seu expoente em "Fortuna, fado" (Vol.20 Cap.98) com a apresentação de Abe Tanoshi. A par de Ogami Ittō, Ogami Daigorō (Cub), e Yagiū Retsudō, Abe Tanoshi é das personagens melhor desenvolvidas em Lone Wolf and Cub. Representa o inverso, Abe Tanoshi é o provador oficial do Shōgun, mestre envenenador, representa a ganância. E é, sim, incrível a forma como a narrativa nos obriga a aproximar de uma personagem que, à partida é "repugnante", para se resolver de uma forma mais ou menos expectável que não revelo, é claro.

Da espiritualidade. A mim, a primeira coisa que me salta à vista depois de lida e relida a obra é o uso e recurso ao número como figura, não só de estilo, mas também de significado "numerologia, se quiserem", que imprime consistência ao enredo. E, esse aspecto, quer se queira quer não, dá-lhe força. Dá-lhe ritmo, também. E música. Ora, veja-se, em "Eco do assassino" (Vol.09 Cap.47) Ogami Daigorō aprende a contar até 10 enquanto está no banho com o pai, o artista preenche cinco pranchas com esse simples exercício. É música. Ou, em "À espera das chuvas" (Vol.01 Cap.06) Ogami Daigorō canta até à exaustão "Senhor figo / Senhora cenoura / Pimenta, cogumelo / Bardana e cevada / Lah la la lah / As sete flores da primavera, as enguias / Pepino, doce milho/ Lah la la lah". Música.

Sim, a um olhar mais atento, não deixa de faltar à obra uma componente mais espiritual, mágica, ou mesmo religiosa, se quiserem. A componente musical tem um "quê!" de transcendente. Sim. Depois, as referências à tradição budista são constantes, às raízes do código de conduta, do guerreiro, "Bushido", ou outros, o código de conduta do assassino. Nem lhe falta, sequer, uma referência à introdução do cristianismo no Japão e ao Kirishitan-Gari "perseguição aos cristãos" em "O dia dos demónios" (Vol.14 Cap.72).

Jizō, ou Ksitigarbha, é uma das divindades mais veneradas no Japão, Jizō é um Boddhisattva. E, segundo a tradição budista, Boddhisattva é um ser iluminado que, motivado por uma infinita compaixão, atingiu o estado de Buda. Jizō é, também, o senhor dos seis caminhos. E, Ogami Ittō e Ogami Daigorō vivem no cruzamento desses seis caminhos (e das quatro vidas) com o inferno budista (Rikudō Shishō, ou Naraka) guardado pelo demónio cabeça de boi Gozu e pelo demónio cabeça de cavalo Mezu (Vol.14 Cap.71). O símbolo desses demónios é o talismã que convoca os clientes do assassino, Ogami Ittō. No cruzamento dos seis caminhos (e das quatro vidas), Ogami Ittō atinge a perfeição, e esse estado de iluminação, autoriza-o "quando encontrares o Buda, mata-o" (Vol.02 Cap.13).




Mais não digo. Leiam.

(Continua...)