quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Spider-Man: Death of the Stacys


A morte de Gwen Stacy marca um ponto de viragem na estória dos comics norte-americanos, marca o fim da chamada Silver Age. Até esse momento era inconcebível matar um personagem importante, no caso a namorada do herói principal (Homem-Aranha) sendo ela também uma personagem com uma boa base de fãs. Mas o mais impensável era o próprio herói falhar o salvamento! Nunca tinha acontecido, os heróis até à data vinham sempre, com mais mais ou menos dificuldade, salvar toda a gente das maquinações dos super-vilões…
Este livro reúne dois pontos-chave e com grandes repercussões na vida do Spider-Man. Primeiro a morte acidental do Capitão Stacy, pai de Gwendolyne Stacy (Gwen), depois a morte desta provocada pela tentativa de salvamento do próprio Homem-Aranha, depois do Green Goblin a ter atirado de grande altura. A equipa criativa do Spider-Man decidiu ao fim de oito anos “matar” esta personagem criada por Stan Lee e Steve Ditko, e acho que não fez mal… como alguém disse, Gwen é famosa porque morreu! Se estivesse viva não teria a importância que ganhou, e continuaria a ser uma loira muito sossegadinha e bonitinha sem grande influência nas estórias do aranhiço. O lugar foi ocupado pela muito mais proeminente Mary Jane Watson, que após a morte da amiga ganhou ainda mais densidade de carácter. A partir daqui os comics americanos tornaram-se bastante mais escuros e deu-se uma abertura para a criação de comics mais para adultos e a censura americana teve de rever as suas regras, pois é também aqui que se fala de um problema que começava a ser muito incómodo nos E.U.A., droga. Harry Osborn tornou-se dependente de drogas e só a pedido do Presidente Nixon o grande público pode ver este personagem a arrastar-se pelas vinhetas sentindo a falta de estupefacientes, todas estas páginas haviam sido censuradas na altura.
Divagando mais um pouco, os fãs do Spider-Man, não gostaram do primeiro filme exactamente porque esta situação, que é um marco nos comics americanos, é mal retratada no filme, ou seja, não é Mary Jane Watson é Gwen e não é um salvamento, é uma morte. A única cena certa é mesmo a morte do Duende Verde, como está retratada como no filme.
Gerry Conwayy conseguiu o que queria com esta sua estória, ser diferente e controverso. Abriu um novo mundo muito mais cinzento para Peter Parker e para os comics americanos, e não digo isto como se fosse uma coisa má… foi excelente! Como estórias são ambas muito boas, o Cap. Stacy morre ao tentar salvar uma criança de uma derrocada, com origem numa feroz luta entre o Dr. Octopus e o Aranhiço.
Já a morte de Gwen é mais trabalhada, o Duende Verde para forçar uma nova cena de pancadaria com o Homem-Aranha rapta a infeliz loura, que durante a refrega é empurrada pelo Goblin de uma grande altura. Fica-se sem se saber (e o Spider-Man também) se morre na tentativa de salvamento ou se já estaria morta quando a teia do Aranha a consegue apanhar. Uma coisa é certa… Peter Parker nunca mais foi o mesmo. A cargo da arte temos Gil Kane no desenho e John Romita Jr. nas cores, e com esta equipa de estrelas só podia dar num sucesso enorme, ainda nos dias de hoje se fala deste episódio… isto foi em 1973!
Já agora, de notar, que morrem dois personagens que conheciam a identidade secreta do Aranha: Capt. Stacy e Norman Osborn (1º Duende Verde).
A edição da Marvel é excelente e está incluída na linha “Marvel Premiere Classic”.
Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Gerry Conway, Gil Kane e John Romita Jr.
Editado em Março de 2007 por Marvel Comics
Comprado no Book Depository
Nota: 10 em 10
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