sábado, 31 de janeiro de 2009

Green Lantern: Secret Origin


E Geoff Johns dá-nos um descanso depois de Sinestro Corps War...
A arte neste livro pertence essêncialmente a Ivan Reis e Oclair Albert, o habitual Ethan Van Sciver está a trabalhar no próximo trabalho desta série.
Este é um recontar da origem do Lanterna Verde Hal Jordan, e porquê este recontar? Geoff Johns formou na sua cabeça uma estória fantástica, uma verdadeira odisseia cósmica. Para iniciar precisava do maior Green Lantern de sempre: Hal Jordan! Ora este para além de se ter transformado no vilão Parallax, num lampejo de herói dá a sua vida para reacender o Sol, na mini-série "The Final Night". Portanto Johns precisava de um reaparecimente que não parecesse muito estúpido, que fosse sólido dentro da mitologia dos Lanternas Verdes. Conseguiu-o com o muito bom "Rebirth", e a partir daqui começou a preparar nos livros seguintes ("No Fear", "The Revenge of the Green Lanterns" e "Wanted") um dos pontos altos da série: "The Sinestro Corps War", e para além disso como acompanhamento foi editado "Tales of the Sinestro Corps".
Como Johns gosta de estórias bem estruturadas teve de reescrever as origens do Lanterna Verde Hal Jordan, sem fazer uma estória diferente na sua essência. Infelizmente já vi isso acontecer com resultados bem negativos. Não foi o caso porque essêncialmente ele cria estória nos "buracos" da estória original, e serve-se deles para semear os próximos pontos altos, sendo o seguinte "The Rage of the Red Lanterns"! Este é um exemplo de como se deve fazer uma mega-saga, sem tie-ins, spin-offs e outras coisas do género... apenas existe uma outra série, mas que não é essêncial seguir (eu não sigo), The Green Lantern Corps, que vai complementando a série principal. Não vou fazer absolutamente nenhum comentário sobre a estória deste livro, apenas digo que é aqui explicada a possivel origem dos Red Lanterns e dos Black Lanterns (e talvez dos Orange Lanterns...). Pelo menos as pistas são semeadas!
Outras referências a este excelente série neste blog:
- Green Lantern, de Geoff Johns
- Green Lantern: The Sinestro Corps War Vol. 1
- Green Lantern: The Sinestro Corps War Vol. 2
Boas leituras (sou fanático desta série...)

Hardcover
Criado por: Geoff Johns, Ivan Reis e Oclair Albert
Editado em 2008 por DC Comics
Comprado em Amazon
Nota : 9 em 10
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Inocente


Estamos no fim da 2ª Grande Guerra e a Alemanha está a ser bombardeada e tomada pelas forças Aliadas. Até aqui tudo vulgar, mas estes autores quiseram mostrar um lado raramente falado ou relatado desta invasão. Afinal, como em qualquer invasão, e sobretudo depois da brutalidade nazi nos países invadidos por estes, todos estes "libertadores" se portaram à altura... pilhagens, violações, etc. É lógico que esta é uma faceta da invasão da Alemanha Nazi que muito raramente se fala, por duas razões principais: os crimes de guerra Nazis foram tão hediondos que "abafam" completamente qualquer "mau comportamento" das tropas Aliadas, e também porque se quer sempre valorizar a parte positiva da acção dos exércitos responsáveis pela aniquilação do regime Nazi, dando um ar mesmo "cavalheiresco" nalguns documentários e crónicas da época... é claro que houve de tudo, sobretudo quando o espírito de vingança estava muito presente (sobretudo no lado Soviético, cujo país foi posto a ferro e fogo mais do que qualquer outro...) .
Eric Warnauts e Raives contam uma estória passada durante este tempo de transição e convulsão política, desde a entrada Norte-Americana, o bloqueio Soviético a Berlin e do Tribunal de Nuremberga. Este é um trabalho completo deste dois autores de BD, o argumento é de Eric Warnauts, o desenho é de Eric Warnauts / Raives e a coloração é de Raives.
Nina Reuber, que fazia parte de uma associação feminina de jovens Nazis, é convencida a fugir pela sua amante Lisel. Esta corta-lhe o cabelo e fornece-lhe roupa de rapaz, para evitar as violações pelos soldados invasores. Nina é apanhada por uma companhia do exército Norte-Americano, e não desconfiando do seu verdadeiero sexo, é usada como intérprete... Assiste impotente a violações e pilhagens perpetrados pelos soldados, mas ganha um amigo e protector: Jones. A curiosidade é que este é negro! Devido a um descuido seu, o seu verdadeiro sexo é descoberto, mas Jones salva-a de mais problemas. Durante o caminho para Berlim, conhece um jovem soldado alemão, Wim, do qual leva um recado para a sua família. Como recompensa esta família arranja-lhe trabalho com uma jornalista francesa. Quando Wim sai da prisão tornam-se amigos íntimos, e é aqui que o lado mais negro do pós-invasão/libertação chega ao conhecimento de Nina, o contrabando e o mercado negro, sobretudo de penicilina...
É uma estória recheada de momento politicos importantes, de desespero e de um triângulo formado por três mulheres (Nina, Bénédicte e Else) com os seus desgostos e desencontros (ou encontros) amorosos!

Softcover
Criado por: Eric Warnauts e Raives
Editado em 1992 por Meribérica
Comprado no Miau
Nota: 9 em 10
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domingo, 25 de janeiro de 2009

ElfQuest Archives Vol.3 e Vol.4


Aqui termina a chamada "Original Quest", que Cutter iniciou no segundo volume. Divididos pelos quatro "Archives", esta primeira fase de 21 revistas, deu origem a várias sequelas ("Siege at Blue Mountain" e "Kings of the Broken Wheel") e "spin-offs" como "New Blood", "Hidden Years", "WaveDancers", "Blood of Ten Chiefs", etc. Depois disto tudo vem uma nova série intitulada "ElfQuest 2", distribuída por 33 revistas!
Eu penso ficar por estes quatro "Archives" da DC, visto que é um pouco complicado adquirir os restantes títulos com a cronologia correcta, isto se o casal Pini não chegar a acordo com a DC para mais alguns "Archives". Nesta segunda fase da demanda de Cutter por outras tribos de Elfos, Wendy Pini cresce como artista! Nota-se que se sente muito mais à vontade, e em muitos momentos os personagens desenhados perdem "a graça", pois a violência posta no desenho é bem marcada. Como disse em "ElfQuest Archives Vol.1 & Vol.2 ", não se deixem enganar pela arte "bonitinha" de Wendy Pini... nestes dois volumes tem páginas com autênticos banhos de sangue e sexo implícito. Se estivessem traduzidos para português, eu faria um aviso aos pais que resolvessem oferecer estes livros aos seus filhos pequenos!
Na sua demanda por outros Elfos (até agora conheciamos apenas os pálidos Wolfriders e os morenos Sun Folks), Cutter e Skywise metem-se em problemas que são sentidos por Suntop (filho de Cutter e Leetah, gémeo de Ember).
Aí Leetah e a maior parte dos Wolfriders sai de Sorrow´s End em missão de aviso e salvamento... acabando estes por se meter num perigo ainda muito maior! Acabam por ser salvos por Cutter e conhecer nas piores condições os Gliders. Assim como os Wolfriders têm um laço especial com lobos, os Gliders têm uma ligação parecida com uma espécie enorme de águias, sendo estas montadas pelos Gliders para caça ou defesa. Aqui surge a maior vilã de todo o universo ElfQuest: Winnowill!
Aí, na Blue Mountain, Cutter toma conhecimento da existência do Palácio dos High Ones (os primeiros Elfos a chegar ao planeta), mudando a sua demanda para a descoberta do mítico palácio.
No volume quatro conhecem mais uma tribo Élfica, os violentos e corajosos Go-Backs e sua líder Khavi. Neste volume respondem-se todas as questões levantadas sobre o passado dos Elfos, mas levantam-se outras...
Boa leitura!

Hardcover
Criado por: Wendy Pini e Richard Pini
Editado em 2005 (vol.3) e 2007 (vol.4) por DC Comics
Comprado no Amazon
Nota : 10 em 10
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sade: A Águia, Mademoiselle...


Uma edição de 1991 da Bertrandt, escrita por Jean Dufaux (Murena, Niklos Koda, Rapaces, Djinn, etc.) e com arte de Griffo (Vlad). A obra baseia-se nos escritos de Sade, a maior parte deles escritos nos 32 anos que passou na prisão, e é aqui na prisão que decorre praticamente toda a trama e seu cenário. Já agora, e como curiosidade, "L’Aigle, Mademoiselle…" foi uma carta escrita na prisão para a sua mulher, cuja adaptação do texto está neste livro de BD.
Dufaux, como argumentista exímio do mundo da 7ªarte, joga com as ligações entre ficção e realidade, mas neste livro achei a narrativa algo confusa... tudo gira à volta de uma companhia de teatro completamente louca e que vai representar obras de Sade. O cenário é a prisão onde Sade passou grande parte da sua vida, e como única ligação do mundo da ilusão à realidade, temos um telefone. Esta era a única maneira de contactar com o director! O que acontece é que dentro do teatro ficção, temos um outro teatro real, que também o não é... como disse atrás, é um pouco confuso!
A arte de Griffo foi o que me levou a adquirir este livro. É excelente no detalhe dos cenários, onde tem algumas vinhetas verdadeiramente assombrosas. Tem um belo jogo de cumplicidade com o escritor, infelizmente acho que Dufaux não teve à altura de Griffo nesta obra.
Outra curiosidade desta obra (que os autores não pretendem que seja entendido como um estudo psicológico ao Marquês de Sade), é a imposição de Depardieu para encarnar Sade!
E o livro termina com uma citação de A.P. de Mandiargues:
"É um homem, sim, que dá festas. Como poderemos não nos deleitar com ele, se nos convida para o seu teatro?"

"Pessoas de bem, sobretudo, deixem a moral no vestiário!..."

Boas leituras (e tenham variedade na vossa colecção de BD...)
:)

Hardcover
Criado por: Jean Dufaux e Griffo
Editado em 1991 por Bertrandt
Comprado na Serpis
Nota: 7 em 10
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domingo, 18 de janeiro de 2009

Absolute Sandman Vol. 4


E assim chega ao fim esta mega-saga da Vertigo. Estes quatro magníficos “Absolutes” foram editados no curto espaço de dois anos, e agora só faltaria mesmo o spin-off “Absolute Death”, que está planeado para o fim de 2009.
Este super volume final é composto pelo muito bem estruturado “The Kindly Ones” e pelo belíssimo “The Wake”. A primeira estória, “The Kindly Ones”, é a maior de toda a saga e também a que tem a arte mais difícil de tragar… embora depois de começar a ler se chegue à conclusão que a ligação entre o texto de Gaiman e os desenhos de Marc Hempel, se interligam extremamente bem. Depois para adoçar a boca no seguimento de uma refeição bastante “agreste”, temos em “The Wake” uma arte maravilhosa de Michael Zulli, da qual é impossível não gostar! Como estórias introdutórias temos “The Castle”, antes de “The Kindly Ones”, e como apêndices temos “Exiles e “The Tempest”, depois de “The Wake”.
Como disse atrás, “The Kindly Ones”, é uma estória altamente bem estruturada que conta os últimos dias de Morpheus. Tudo é despoletado pelo desaparecimento de Daniel, filho de Lyta Hall (heroína reformada), e esta convence-se de que o senhor dos sonhos é responsável. A partir daqui personagens secundários tornam-se principais (Lyta Hall, The Corinthian, Thessaly, Rose Walker, Loki, etc.) e Lyta acaba por conseguir levar as “Furies” a perseguir Morpheus, pois este derramou sangue da própria família (Orpheus), premissa básica para a vingança destas bruxas. As Furies iniciam o seu plano de destruição do Reino dos Sonhos, eliminando metodicamente os personagens principais deste Reino. No fim, temos um triste Morpheus no topo de um penhasco, junto com a sua irmã Death… conversam, e ele dá-lhe a mão! No mesmo instante dá-se a metamorfose de Daniel…
“The Wake” é praticamente um epílogo de toda a série, onde todos os personagens de alguma importância desta série falam de Morpheus e de que modo ele afectou as suas vidas, assim como entre eles próprios… é o episódio que une o resto das pontas soltas. Acho que já fiz demasiados spoilers, portanto fico por aqui.
Ficam os links das outras três críticas:
- Absolute Sandman Vol.1
- Absolute Sandman Vol. 2
- Absolute Sandman Vol. 3
Boas leituras!

Slipcased Hardcover
Criado por: Neil Gaiman, Dave McKean, Michael Zulli, Daniel Vozzo, Marc Hempel, Kevin Nowlan, Todd Klein, Charles Vess, etc
Editado em 2008 por Vertigo (DC Comics)
Comprado em Amazon
Nota : 11 em 10


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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Spider-Man: Death of the Stacys


A morte de Gwen Stacy marca um ponto de viragem na estória dos comics norte-americanos, marca o fim da chamada Silver Age. Até esse momento era inconcebível matar um personagem importante, no caso a namorada do herói principal (Homem-Aranha) sendo ela também uma personagem com uma boa base de fãs. Mas o mais impensável era o próprio herói falhar o salvamento! Nunca tinha acontecido, os heróis até à data vinham sempre, com mais mais ou menos dificuldade, salvar toda a gente das maquinações dos super-vilões…
Este livro reúne dois pontos-chave e com grandes repercussões na vida do Spider-Man. Primeiro a morte acidental do Capitão Stacy, pai de Gwendolyne Stacy (Gwen), depois a morte desta provocada pela tentativa de salvamento do próprio Homem-Aranha, depois do Green Goblin a ter atirado de grande altura. A equipa criativa do Spider-Man decidiu ao fim de oito anos “matar” esta personagem criada por Stan Lee e Steve Ditko, e acho que não fez mal… como alguém disse, Gwen é famosa porque morreu! Se estivesse viva não teria a importância que ganhou, e continuaria a ser uma loira muito sossegadinha e bonitinha sem grande influência nas estórias do aranhiço. O lugar foi ocupado pela muito mais proeminente Mary Jane Watson, que após a morte da amiga ganhou ainda mais densidade de carácter. A partir daqui os comics americanos tornaram-se bastante mais escuros e deu-se uma abertura para a criação de comics mais para adultos e a censura americana teve de rever as suas regras, pois é também aqui que se fala de um problema que começava a ser muito incómodo nos E.U.A., droga. Harry Osborn tornou-se dependente de drogas e só a pedido do Presidente Nixon o grande público pode ver este personagem a arrastar-se pelas vinhetas sentindo a falta de estupefacientes, todas estas páginas haviam sido censuradas na altura.
Divagando mais um pouco, os fãs do Spider-Man, não gostaram do primeiro filme exactamente porque esta situação, que é um marco nos comics americanos, é mal retratada no filme, ou seja, não é Mary Jane Watson é Gwen e não é um salvamento, é uma morte. A única cena certa é mesmo a morte do Duende Verde, como está retratada como no filme.
Gerry Conwayy conseguiu o que queria com esta sua estória, ser diferente e controverso. Abriu um novo mundo muito mais cinzento para Peter Parker e para os comics americanos, e não digo isto como se fosse uma coisa má… foi excelente! Como estórias são ambas muito boas, o Cap. Stacy morre ao tentar salvar uma criança de uma derrocada, com origem numa feroz luta entre o Dr. Octopus e o Aranhiço.
Já a morte de Gwen é mais trabalhada, o Duende Verde para forçar uma nova cena de pancadaria com o Homem-Aranha rapta a infeliz loura, que durante a refrega é empurrada pelo Goblin de uma grande altura. Fica-se sem se saber (e o Spider-Man também) se morre na tentativa de salvamento ou se já estaria morta quando a teia do Aranha a consegue apanhar. Uma coisa é certa… Peter Parker nunca mais foi o mesmo. A cargo da arte temos Gil Kane no desenho e John Romita Jr. nas cores, e com esta equipa de estrelas só podia dar num sucesso enorme, ainda nos dias de hoje se fala deste episódio… isto foi em 1973!
Já agora, de notar, que morrem dois personagens que conheciam a identidade secreta do Aranha: Capt. Stacy e Norman Osborn (1º Duende Verde).
A edição da Marvel é excelente e está incluída na linha “Marvel Premiere Classic”.
Boas leituras!

Hardcover
Criado por: Gerry Conway, Gil Kane e John Romita Jr.
Editado em Março de 2007 por Marvel Comics
Comprado no Book Depository
Nota: 10 em 10
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Drain Vol. 1


Drain é o primeiro trabalho da japonesa Sana Takeda no mercado norte americano, e que trabalho! Cebulski é conhecido por angariar artistas em todos os cantos do planeta (até portugueses) e visto gostar tanto da cultura japonesa, nada como uma vampira Ninja que se passeia pela Terra nos últimos 500 anos, desenhada e colorida por uma artista japonesa. Cebulski, conhecido escritor de estórias para os comics norte americanos, chegou a viver no Japão e adora todo o folclore e história deste país, assim sendo, quis escrever uma estória baseada nas lendas japonesas, acabando por escrever a estória de Chinatsu, transformada em vampiro no antigo Japão há 500 anos atrás.
Sana Takeda, consegue algumas páginas de grande beleza e muita violência, e penso que foi uma aposta ganha para esta estória de Cebulski. Eu sempre fui da opinião que quando os artistas japoneses têm tempo para aplicar cor nas suas Mangas, estas ficam excepcionais! Takeda usa a cor muito bem, numa BD com grande influência Manga, ou não fosse uma artista japonesa, transmitindo grande velocidade sempre que necessário. Para quem gosta do género manga, vampiros e sangue a rodos este é um "must have" para a sua prateleira.
Chinatsu é uma poderosa vampira, não apenas pela sua idade ou pelos seus poderes, mas sim porque soma a sua experiência de 500 anos mais todos os atributos vampíricos com a sua arte e treino Ninja, ou seja, mesmo dentro do mundo dos vampiros ela é letal! E a pergunta põe-se a Chinatsu... o que fazer quando se vive para sempre? No caso é fácil: vingança contra o vampiro que assassinou toda a sua família e a transformou apenas pelo prazer de mais tarde acabar com ela. A estória inicia-se em Nova Iorque, no nosso tempo (embora as torres Gémeas ainda lá estejam...), e conta com muitos "flashbacks" ao passado. Estes explicam alguns pormenores do presente... como o ataque do vampiro à sua família no Japão medieval e o seu amor na altura da Revolução Francesa, Freya, que lhe pede para ser transformada e após muita insistência acaba por ser um desejo concedido. Freya não se porta bem como vampira, e as duas amantes acabam por se tornar inimigas ao longo dos anos. Logo Chinatsu tem dois assuntos pendentes, Reiji o poderoso vampiro que a transformou, e Freya, a sua amante tornada vampira e agora sua inimiga mortal por despeito!
Aconselho este livro, mas é como já disse noutros posts... eu sou suspeito porque gosto muito do género.
Boas leituras!
:)

Softcover (TPB)
Criado por: C.B. Cebulski e Sana Takeda
Editado em 2008 por Image Comics
Comprado em Amazon
Nota: 9 em 10
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Abe Sapien: The Drowning


Abe Sapien é mais uma criação de Mike Mignola, com origem no universo de Hellboy. Foi sempre um personagem secundário, ou de apoio tanto na série Hellboy como em B.P.R.D. Com o sucesso do personagem junto do grande público, a que os filmes Hellboy não são alheios, Abe Sapien tem direito a um “comic one-shot” (Drums of the Dead), e depois a uma mini-série que deu origem a esta compilação: The Drowning.
A origem de Abe remonta à era Victoriana, em que Langdon Everett Caul é envolvido num ritual arcano, para libertar uma espécie de medusa sobrenatural presa numas antigas ruínas. Conforme o sobrenatural ser é liberto, Langdon é transformado num “Icthyo Sapiens”. Os seus colegas de ritual colocam-no num tubo com água, que é descoberto um século depois apenas com um pequeno rótulo no qual estava inscrita uma data: o dia preciso em que Abraham Lincoln foi assassinado, 14 de Abril de 1865. Como a criatura não tinha nenhuma memória passada ficou com nome do antigo presidente, sendo entregue ao Bureau for Paranormal Research and Defense (BPRD).
Actuando em conjunto Hellboy o personagem foi-se afirmando nos livros, culminando essa mesma afirmação nas grandes salas de cinema em todo o mundo. A partir daqui era fácil um spin-off das séries Hellboy e BPRD. Assim chegamos a este livro.
Gostei da estória escrita por Mignola, agora permitam-me desconfiar da arte… aprendi a gostar da arte de Mignola, mas uma imitação de Mignola… humm… Mike Mignola tem um estilo muito própria, e tão próprio, que eu acho que ninguém se deveria colar a esse tipo de registo gráfico. Acho que Jason Shawn Alexander deveria ter um estilo mais próprio! Lá por ser um universo criado por Mignola não quer dizer que tenham todos que desenhar como ele. Esta é a parte negativa deste livro para mim.
Hellboy anda desaparecido na companhia de uma arqueóloga, Anastasia Bransfield, e Abe é escolhido pela primeira vez para uma missão a “solo”, apesar de levar mais três elementos do BPRD como “backup”. A missão consistia na recuperação de um punhal “Lipu”, que se acreditava ser muito eficiente contra as forças negras do mal. Já se sabia qual a localização da adaga, agora era só ir lá buscá-la! Esta tinha sido espetada no peito da forma humana de um demónio antigo, quando este seguia num navio ao largo de França. Que é que pode correr mal numa missão tão simples? Isso têm de perguntar ao Abe Sapien…
Boas leituras!

Softcover (TPB)
Criado por: Mike Mignola e Jason Shawn Alexander
Editado em 2008 por Dark Horse
Comprado em Book Depository
Nota: 7 em 10
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Camões: De Vós Não Conhecido Nem Sonhado?


“Foi o nosso poeta de meã estatura, grosso e cheio de rosto e algum tanto carregado da fonte. Tinha o nariz comprido, levantado no meio e grosso na ponta. Afeava-o notavelmente a falha do olho direito. Sendo mancebo, tinha o cabelo tão louro que tirava a açafroado. Ainda que não era gracioso na aparência, era na conversação muito fácil, alegre, e dizedor, como se vê em seus motes e esparsas, posto que, já sobre a idade, deu algum tanto em melancólico.”

Manuel Severim de Faria
Vários Discursos Políticos

Assim começa este livro editado pela Plátano da autoria de Jorge Miguel!
Camões tem sido alvo de diversas adaptações para Banda Desenhada, sendo esta a que eu mais gostei! A Banda Desenhada dita histórica tem muitos livros editados sobre episódios da nossa História, mas consegue ser muito maçuda para um leitor que está á espera de ver sequências de imagem com bastante acção e dialogo. Não estou a dizer que tecnicamente não haja excelentes livros, mas o público leitor/comprador não tem complacência pela BD tecnicamente boa sobre factos, ou não, da nossa história, mas apresentados sob a forma de uma grande "seca", normalmente comprados por quem nunca compra BD, mas achou que ia ser uma boa prenda de Natal para uma criança que não conhece bem... É necessário mais qualquer coisa para o público comprar BD histórica, e eu penso que este livro caminha para aí! Existem algumas falhas (no meu ponto de vista) que não o desenho ou o texto. Estou a falar das cartas de Camões para os seus amigos, e vice-versa, que quebram bastante a fluidez da acção. Estas cartas poderiam ser apresentadas como extras ou apêndices no fim do livro, até o tornariam mais interessante, pois, inclusivamente se poderiam inserir mais algumas cartas.
Jorge Miguel, que já colaborou nalgumas publicações, sendo mais conhecido pelas suas ilustrações e aguarelas, e com Camões fez o seu primeiro grande trabalho em Banda Desenhada.
Penso que Jorge Miguel omite algumas partes da vida do poeta propositadamente para dar mais leveza à estória, focando-se na sua vida em Lisboa (bairros típicos e o Paço), e aqui como toda a gente sabe, Camões cria tantos inimigos como amantes. A partir daqui a acção voa para além-mar, primeiro norte de África, depois Índia, Molucas, Macau e a respectiva volta (com paragens, claro) para Portugal. Jorge Miguel insere os mais lindos sonetos e estrofes durante a sequência de imagens de uma maneira bonita e sem atrapalhar as vinhetas. Muito conseguido neste aspecto.
No desenho faz lembrar um autor de que eu não me lembro o nome, no seu estilo caricatural, mas ao mesmo tempo sério. É um desenho que por vezes penso que podia ser um pouco mais pormenorizado, mas não compromete… Em relação à coloração e conhecendo outros trabalhos do autor, penso que poderia ter feito melhor.
Para finalizar, gostava de dizer que gostei desta abordagem ao nosso poeta, e se estivéssemos num país em que a BD fosse tratada de maneira diferente, Jorge Miguel conseguiria fazer um trabalho de se lhe tirar o chapéu se contasse a história de Camões em três volumes. Penso que este seria o tamanho ideal da obra! Torna-se difícil meter a vida de uma pessoa como Camões em 64 páginas! Mas mesmo assim Jorge Miguel está de parabéns!

Hardcover
Criado por: Jorge Miguel
Editado em 2008 por Plátano Editora
Comprado na Bulhosa
Nota média da série : 8 em 10
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sábado, 3 de janeiro de 2009

Comanche


E o ano começa com uma série de culto produzida na Europa: Comanche!
Os seus autores são mais do que conhecidos, são lendas da Banda Desenhada Franco-Belga: Greg (textos) e Hermann (desenho). O primeiro deve ter sido o mais prolífico autor de estórias e personagens da BD europeia (Comanche, Spirou e Fantásio, Modeste e Pompon, Bernard Prince, Luc Orient, Olivier Rameau, Clifton, Corentin, Os Náufragos de Arroyoka, Clorofila, Bruno Brazil, etc) e isto para além de ser o desenhador de Achille Talon. Faleceu em 1999... O segundo continua a ser editado em português, sendo o seu último livro editado cá, O Diabo dos Sete Mares Vol.1 , mas contando com muitas outras traduções para português deste artista: Bernard Prince, Comanche, Jugurtha, As Torres de Bois-Maury, Jérémiah, Caatinga, Mataram Wild Bill, etc...
Esta dupla funcionou até ao 10º volume desta série de 15 livros, Hermann abandonou a série no 10º volume por achar que as estórias de Greg se estavam a tornar "muito comerciais". A série Comanche ombreia sem problemas com Blueberry, apesar de diferente, há quem diga as que melhores estórias do Oeste americano (westerns) são Blueberry, Comanche e Tex (de notar que todas são de autores europeus...).
A série foi editada em português pela Bertrand e pela Distri. A ordem por que sairam cá foi quase aleatória... a ordem correcta é esta:
1 - Red Dust (Bertrand)
2 - Os Guerreiros do Desespero (Bertrand)
3 - Os Lobos de Wyoming (Bertrand)
4 - O Céu Está Vermelho Sobre Laramie (Bertrand) (Distri)
5 - O Deserto sem Luz (Revista Tintim nº20 ao nº31 do 9º ano)
6 - Fúria Rebelde (Bertrand)
7 - O Dedo do Diabo (Distri)
8 - Os Xerifes (Revista Tintim nº24 ao nº43 do 12º ano)
9 - E o Diabo Gritou de Alegria... (Distri)
10 - O Corpo de Algernon Brown (Distri)
11 - As Feras (Selecções BD 1ª Série do nº38 ao nº40)
12 - Le Dollar à Trois Faces (Dargaud)
13 - Le Carnaval Sauvage (Dargaud)
14 - Les Cavaliers du Rio Perdu (Dargaud)
15 - Red Dust Express (Dargaud)

A azul os álbuns não editados em português!
De notar que "O Deserto sem Luz", "Os Xerifes " e "As Feras" não saíram em formato álbum... os dois primeiros faziam parte dos números descritos acima da revista Tintim e "As Feras" noutra revista, Selecções da BD. Esta seria uma excelente série para ser publicada pela parceria Asa/Público! Tem qualidade, leitores e um número de livros que se coaduna com o que tem sido editado por esta parceria. É que há livros nesta série que atingem preços bastante altos, para além do "O Corpo de Algernon Brown " que atinge preço ao nível de "Mister Blueberry", ou seja, preços completamente loucos para livros de BD em português...
Quanto à estória, esta roda à volta do rancho 666 e dos seus ocupantes, principalmente Red Dust (capataz) e Comanche (proprietária). É claro que é um "Western", logo temos a construção da via férrea, Índios amigos, Índios não amigos, cidades típicas desta zona e época, bandidos do pior e grandes amizades/lealdades. A estrutura narrativa de Greg é excelente e em conjunto com a arte de Hermann conseguiram fazer uma série que fica entre as melhores da BD mundial. Fazendo a diferença com a outra grande série do género, Blueberry, temos o número de livros (Blueberry tem o dobro, e a série ainda não está fechada) e os arcos narrativos, ou seja, Blueberry pode-se considerar um arco de estória gigante, enquanto que Comanche vive de arcos mais pequenos e "one-shots", isto para além de que as aventuras do Tenente Blueberry sempre priveligiaram a relação entre a cavalaria americana com o resto do Oeste Americano com ênfase dado aos Índios; em Comanche é um rancho estratégicamente colocado entre Índios, o caminho de ferro e uma cidade tipicamente do Oeste, cheia de vícios, bébados e pistoleiros, isto para além dos bandidos "manga de alpaca".
De notar que o primeiro contacto que tive com esta série foi 1970/71 na revista Tintim (tinha acabado de aprender a ler), e a força das imagens nessa altura impressionou-me muito, mais do que Blueberry! Até à altura o que eu conhecia de Cowboys era a sua pretensa parte cavalheiresca, o seu aspecto limpinho e sua educação para com os outros... vaqueiros sujos, ruas sujas, pessoas mais parecidas com animais do que os próprios animais... eu ainda não tinha tido contacto com essa falta de "glamour" nos Westerns!
Se conseguirem álbuns desta série em alfarrabistas, aproveitem, sobretudo se estiverem a preços acessíveis!
Boas leituras.

Hardcover
Criado por: Michel "Greg" Reignier, Hermann Huppen, Michel Rouge e Rodolphe
Editado entre 1976 e 1988 por Distri Editora e Bertrand (nesta datas não foram incluídas as revistas)
Nota média da série : 9,5 em 10
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