segunda-feira, 29 de julho de 2013

Os Comics e os Anos 90: Image Comics - Youngblood [1]



O Leituras de BD vai encetar um ciclo sobre os comics e os anos 90. Vou contar com a participação neste campo do Hugo Silva e do Paulo Costa, mas embora nas tags vá constar a rubrica “A Palavra dos Outros”, não a vou referenciar no título para a rubrica ficar mais “limpa” e formatada.
O nome é:
Os Comics e os Anos 90
Será postada à 3ª Feira, 5ª Feira e Domingo até concluirmos que se deu uma boa imagem geral do que se passou nos comics nesta década de "90".

Eu vou iniciar as “hostilidades” com uma editora hoje muito importante nos EUA, e que surgiu nesta década: a Image Comics
Farei uma abordagem generalista primeiro e depois irei aprofundar alguns títulos importantes que saíram daqui. Hoje será a vez da Extreme Studios do mestre Rob Liefeld e do seu Youngblood!


Fartos de receber quase nada pelo seu trabalho, nunca poderem ser donos das suas personagens, e sentindo que a Marvel estava assente no seu trabalho, Todd McFarlane, Rob Liefeld, Jim Lee, Erik Larson, Jim Valentino, Whilce Portacio e Marc Silverstri foram tentar melhorar as suas condições de trabalho. A Marvel não cedeu e este grupo de desenhadores saiu da Marvel para criar a sua própria editora. Uma editora em que os autores fossem donos das suas criações.
Fundaram a Image Comics!

Cada um criou o seu estúdio:
  • Highbrow Entertainment - Erik Larsen
  • WildStorm Productions - Jim Lee
  • ShadowLine - Jim Valentino
  • Extreme Studios - Rob Liefeld
  • Top Cow Productions - Marc Silvestri
  • Todd McFarlane Productions - Todd McFarlane 
  • Wetworks - Whilce Portacio
Inicialmente os títulos da Image foram produzidos pela Malibu Comics, enquanto a Image só por si ainda não tinha uma estrutura comercial com capacidade para começar colocar os seus títulos no mercado.

Os primeiros títulos a chegar às lojas foram Youngblood (Extreme Studios), The Savage Dragon (Highbrow Entertainment), Spawn (Todd McFarlane Productions) e WildC.A.T.s. ( Wildstorm).
O público aderiu, foi um bom “BOOM” inicial. Estes desenhadores eram dos favoritos do grande público e conseguiram trazer muito público para os seus títulos!
Mais, a Image deixava outros autores publicarem através dos vários estúdios, mantendo os direitos das suas criações. Exemplo típico dessa altura foi Astro City de Kurt Busiek, Alex Ross e Brent Anderson, entre outros exemplos.


Mas passado algum tempo, e já depois da Image Comics não necessitar da Malibu Comics como estrutura, começaram os problemas. Alguns títulos começaram a cair a pique, e começaram a existir dissensões entre os vários associados.
Houve um problema que estes desenhadores não anteciparam… eles eram desenhadores! Então e as histórias? Sim, nenhum deles era conhecido como argumentista!
Ou seja, falando mal e porcamente as histórias na sua generalidade eram uma grande porcaria… heróis sem profundidade, histórias muito básicas e os desenhos acabaram por cair num exagero anatómico profundo…

Mais, os desenhadores (na sua generalidade) têm um estigma em todo o mundo: se ninguém os pica para acabar um trabalho, este atrasa-se! Este foi outro grande problema.
Os atrasos nas séries on-going somavam-se e as distribuidoras e retalhistas começaram a castigar a Image com cortes nos pedidos como medida de defesa.
A meio dos anos 90, e como títulos de sucesso, apenas restavam Spawn e Savage Dragon… isto embora o primeiro título da Top Cow não ter tido grande sucesso, é também nesta altura que esta lança Witchblade (1995) e The Darkness (1996), series estas que asseguraram a Top Cow, e que continuam a ser publicadas ainda hoje.


Depois vieram os choques e as saídas.
Rob Liefeld começou a ser questionado pelos seus colegas devido a abusos à sua condição de CEO da empresa. Era acusado de se servir da Image para financiar e promover a Maximum Press, uma outra empresa dele. Mais… Silvestri retirou a Top Cow da Image porque acusava Liefeld de andar a aliciar autores que trabalhavam para ele, e a gota de água foi mesmo Michael Turner.
Rob Liefeld acabou por ser chutado para fora da Image, demitindo-se em 1996, e a Top Cow voltou para a Image até aos dias de hoje.

Jim Lee, que deve ter achado que a vida dele era ser desenhador e não empresário acabou por vender a Wildstorm (que tinha séries de sucesso como Planetary ou Authority) à DC Comics em finais dos anos 90.

Depois disto tudo a Image estabilizou!
Marcou uma época de anatomias exageradas, os pastiches de outros personagens ou series já existentes, algum gore não habitual em títulos do género, histórias fracas (na generalidade) mas lançou as bases para uma das editoras mais respeitadas neste momento nos EUA, com títulos ganhadores como Walking Dead e Saga neste momento.



Vamos à Extreme Studios de Rob Liefeld.


O grande título de abertura, e penso que o único de sucesso, foi Youngblood.
Foi o primeiro título a sair pela Image Comics (1992) e o seu primeiro número conseguiu ser o comics de uma editora independente mais vendido até à data.
Tudo corria bem comercialmente a Liefeld neste arranque, mas as críticas… bem… nem por isso. A história era fraca, e claro, o desenho do mestre Liefeld toda a gente conhece, certo?
:D
Por causa das críticas iniciais Liefeld despede o seu argumentista (lol) …


Bem, o primeiro número era um flip-comic. Até aqui nada de especial excepto que trazia duas histórias com duas equipas Youngblood diferentes!
Digamos que o plot de Liefeld era uma grande confusão, sim, o “argumentista” de que eu falei atrás (Hank Canalz) apenas fazia o script dos “escritos” de Liefeld.

Um ditador do Médio Oriente, Hassan Kussein, foi alvo de uma missão especial com o nome de código Youngblood. O país deste ditador é invadido por esta força especial (bem ao estilo GI Joe) e provoca um incidente internacional.
Sentinel, Riptide, Brahma, Photon, Psi-Fire e Cougar eram os elementos deste grupo.


No outro grupo em luta com uns tipos chamados Nefarius Four (lol) tínhamos Shaft, Die Hard, Bedrock, Vogue e Chapel.

Estes eram as equipas denominadas “Away Team” e “Home Team”.
A revista na sua construção física já era confusa, mas a confusão imperava também nos plots destas duas histórias, confundindo (claro) o leitor. Claro que estas equipas eram cópias descaradas dos X-Men…
Os diálogos eram simplesmente horríveis, as personagens eram cópias sem profundidade de outros já existentes, falta de coesão e consistência e os desenhos, bem… a arte de Liefeld é sobejamente conhecida…
























Acho que as imagens que eu coloquei aqui dão bem para verificar a mestria de Liefeld.
Enfim, não me vou alongar sobre Youngblood fora da Image, mas o feiticeiro Alan Moore devia precisar com muita urgência de dinheiro e prestou-se a escrever 10 números para o relançamento já fora da Image. Acabou apenas por escrever três… isto aconteceu mesmo no final dos anos 90.
No próximo post, com o selo Image, será a vez de "The Savage Dragon".

Este post ficou um pouco pesado, mas acho que era importante falar um pouco do nascimento e convulsões iniciais da Image, hoje uma editora muito importante!


Boas leituras
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