sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Autores BD: Len Wein


O meu primeiro contacto com Len Wein, foi numas histórias da Liga da Justiça, uma fase que apreciei bastante, e depois comecei a ver que o seu nome aparecia em outras revistas que lia, como Hulk ou Aranha, percebendo que este seria um autor ao qual deveria começar a prestar atenção.

Para além de ter escrito em títulos como Batman, Homem-Aranha, Hulk ou Liga da Justiça, Wein ficou também conhecido por fazer um bom trabalho como editor, de onde se salienta a mini Camelot 3000, revistas de linha como Novos Titâs, Batman e os Renegados, ou aquela que é considerada a melhor obra dos quadradinhos, Watchmen. Ajudou também a criar personagens como Wolverine, Noturno, Tempestade, Colossus, Monstro do Pântano, Human Target e Lucius Fox, entre tantos outros.

Leonard Norman Wein nasceu a 12 de Julho de 1948 em Nova York, e segundo o próprio, tendo tido uma infância onde ficava doente constantemente, os comics eram a sua companhia, e desenvolveu por esse género uma grande paixão. Mais tarde, ele e o seu amigo Marv Wolfman, iam desenvolvendo essa paixão com os seus trabalhos em fanzines, numa fase em que Wein demonstrava mais interesse em ser um artista do que um escritor.

Mas isso tudo mudou quando ele e Wolfman foram contratados pela DC, no final dos anos 60, e começou então a escrever revistas para a companhia. No começo, Wein andava pela linha de romance, terror, títulos de western ou até revistas relacionadas com programas de TV como Star Trek. Foi no começo dos anos 70 que o autor começou a escrever títulos de super heróis, com a sua estreia a acontecer no Demolidor #70, com a ajuda do escritor/editor Roy Thomas, tendo tido depois esporádicas passagens por títulos como Supergirl, Flash, Superman, e em 1971 cria, em conjunto com o artista Bernie Wrightson a personagem Monstro do Pântano, que viria rapidamente a ganhar uma revista própria.


O seu trabalho com a personagem chamou a atenção de todos, e foi-lhe então dada uma oportunidade para escrever a principal equipa da DC, a Liga da Justiça, com arte de Dick Dillin. e fez um trabalho competente, com constante utilização de personagens da Sociedade da Justiça e reintroduzindo grupos como Seven Soldiers of Victory ou Freedom Fighters.

Nessa altura começa também a escrever regularmente para a Marvel, tendo tido passagens longas por títulos como Marvel Team-up, Hulk e Homem-Aranha. Na sua passagem pelo golias verde, Wein deu destaque ao antagonismo entre Banner/Hulk e Glenn Talbot, revitalizou personagens como Doc Samson e co criou o Wolverine. Já no Aracnídeo, o autor apresentava um Parker divertido, e soube escrever como poucos, diálogos bastantes engraçados enquanto o Aranha enfrentava os seus inimigos.

O romance floresceu nas páginas do Aranha, já que o autor criou casais e personagens como Liz Allen, Betty Leeds e até JJJ encontraram o amor, isto tudo durante a sua fase pelo cabeça de teia. Ao contrário de Conway, que criou diversas personagens para o título, Wein reutilizou vilões que há muito não apareciam na revista, desde o Rei do Crime ao Shcoker, passando pelo Tinkerer ou Silvermane. Mesmo assim ainda criou algumas novas personagens, como o vilão Rocket Racer, que é um bom símbolo do humor apresentado pelo autor na sua passagem pelo Aranha.


Mas foi em 1975 que o autor deixou a sua marca na Marvel, co-criando uma série de personagens com o artista Dave Cockrum, com as quais revitalizaram o grupo de mutantes X-Men, começando uma caminhada que levaria a equipa a ser o título mais vendido da companhia. Curiosamente pouco tempo depois, em confronto com Jim Shooter segundo algumas pessoas, ele deixa a Marvel e volta para a DC, tanto como escritor, como também na posição de editor.

Em 1979, na sua primeira história em Batman, cria a personagem Lucius Fox, e fez algumas histórias interessantes em conjunto com o artista Marshall Rogers, para além de ter escrito a primeira mini do Homem morcego, The Untold Legends of Batman. Em Lanterna Verde, ajudou Dave Gibbons num título que voltava a ter algum destaque, para além de ter sido o escolhido para escrever o crossover entre Batman e Hulk.

Nos anos 80, ficou bem conhecido como editor, o seu nome aparecia em revistas que estavam em destaque, como Novos Titãs ou Batman e os Renagados, e fez parte de projectos como Camelot 3000 e Watchmen. Editou também Alan Moore na revista do Monstro do Pântano, numa passagem de testemunho extremamente bem sucedida. Escreveu ainda um revival do Besouro Azul, e os diálogos da mini série Lendas, ajudando John Ostrander nessa saga que tentava resolver as pontas deixadas soltas em Crise nas infinitas terras.

Nos anos 90, para além de uma passagem como editor na Disney, Wein escreveu para inúmeros programas de televisão, especialmente séries de animação, como Batman, Homem-Aranha, X-men, Phantom 2040, Street Fighter entre tantos outros. Voltou a escrever alguns comics para a DC já no Século XXI, mostrando sempre algum carinho por algumas das personagens desta editora.

Faleceu a 10 de Setembro de 2017, aos 69 anos, com problemas de coração, deixando para sempre um legado nas duas grandes companhias, que ninguém poderá ignorar.













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